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O desafio de ser mulher e praticar esportes em espaços públicos

Fazer exercícios e esportes ao ar livre é bastante libertador mas de difícil acesso. Isso porque expor-se é tarefa complexa pra quem está acostumada com o interior do carro, do metrô, do trem, do escritório, de casa. Depois de atravessadas essas barreiras de paredes e latas ainda há a preocupação de parecer boa o suficiente naquilo que foi escolhido praticar ou bonita - dentro de parâmetros padronizados.

No percurso há tantos olhares, além de comentários e atitudes, julgadores que por vezes intimidam.

Se a roupa é curta e justa - portanto confortável para o exercício -, é também um chamariz para homens e seus comentários dos mais leves aos mais pesados, e de mulheres e suas visões machistas, afinal "moça direita não anda assim na rua".

Anda sim! Com a roupa que for melhor para a prática e não para atender código de vestimenta que padroniza comportamentos de acordo com ideias moralistas e opressoras. E praticando o esporte que preferir, comprometida com a sua própria vontade e tesão.

Quanto do efeito do esporte, de se lançar e arriscar a experimentar algo novo, e da alegria vivida, nesse ínterim, fica comprometido e cessa antes mesmo de começar por conta desses adversários sujos?

E aí, como conversar com mulheres que vivem em um ambiente moderno, mas submetidas à referências ultrapassadas, que tudo bem suar de cara limpa de maquiagem e suja de poeira? Que é isso que mantém seu estilo de vida ativo e portanto suas respostas de saúde - e não os muitos tratamentos de beleza sedutores, praticados em meio anti-séptico, aromatizado, aclimatizado, que são também caros e escravizam por uma beleza que não traduz saúde - a mental especialmente?

Como conversar com a mulher que está em outra posição, oferecendo suporte através de serviços de cuidados de casa, crianças, idosos, cachorros, que ela também direito de se cuidar e sentir alegria pelo esporte, mesmo com o tempo e orçamentos curtos?

A todas é recomendado o exercício. A doença que se instala pela inatividade não faz diferença de classe, e ainda bem que a saúde também não.

É nessa hora que o ambiente ao ar livre funciona como o mais justo dos juízes: decidindo que bom mesmo é se movimentar, sozinha quando não houver companhia, em grupo quando houver. Com todas as diferenças de vivências no esporte e vestimentas. Contanto que chegue, ande, corra, pule, pedale, jogue, sue, beije, abrace e se despeça até a próxima.  


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Thais Moura é formada em educação física na PUC e na Unicamp, trabalha há 11 anos com parâmetros qualitativos de estilo de vida ativo e qualidade de vida; e criou seu próprio método, que combina atividades que conectam as participantes com o objetivo de condicionar através dos exercícios para manter ou resgatar a autonomia: como pedalar pela cidade, correr, surfar, sentar com conforto em frente ao computador ou carregar um bebê.  

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