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Intensivo Diálogo, Encontro #1

No primeiro encontro do intensivo, Solange Fonseca nos trouxe alguns fundamentos importantes para expandirmos nosso entendimento do papel do diálogo em nossas vidas. Confira alguns trechos do encontro, que você pode assistir na íntegra em vídeo ou áudio:

Aspectos gerais da comunicação interpessoal

Comunicar significa falar do que é comum. Compartilhar o que é comum. É sempre mais fácil falar com quem compartilhamos gostos e visões de mundo. Mas nem sempre estamos compartilhando o que é comum e é ai que surgem os conflitos.

Saber o que é importante para cada uma de nós é fundamental para estas trocas comuns. Saber sobre mim me permite estar com o outro sem me perder.

Nós somos seres conversasionais. Tudo o que a gente faz, a gente faz através do diálogo. A gente não existe, como ser humano, sem dialogar.

Enxergamos o mundo a partir das observadoras que somos

Cada uma de nós é uma observadora distinta do mundo. Cada uma de nós enxerga algo diferente a partir do seu ponto de vista. Isso significa que nenhuma de nós tem a verdade absoluta sobre as coisas.

Sabermos que não temos a resposta para tudo ressignifica para nós o que é ser humano. Por muito tempo os filósofos estavam em busca da verdade. Os filósofos pós modernos buscam a compreensão do ser humano.

Nós somos seres interpretativos. Ouvimos e interpretamos. A gente interpreta com todas as nossas habilidades sensoriais. A gente interpreta com o que a gente ouve, mas também com o que sente, com o que vê.

Quando a gente fala do observador, falamos da nossa forma de dar sentido às coisas. Todos nós somos observadores únicos e cada observador tem diversos elementos dentro dele: sua história, contexto em que vive, experiências vividas.

Quando falamos do observador, falamos de: observador, ação e resultado. Resultados podem ser qualquer coisa: minhas relações, situação no trabalho, conflitos em que me engajo. Os resultados dependem da ação e do tipo de observador que somos. Se não estamos gostando dos resultados, podemos nos perguntar o que estou fazendo ou deixando de fazer? Muitas vezes podemos alterar o que estamos fazendo e ter outros resultados, mas outras vezes precisamos olhar de forma mais profunda para nós mesmas.

Aspectos do sofrimento que surgem no diálogo com o outro

Estamos vivendo um momento como sociedade, em especial no Brasil, em que é importante estar bem consigo. É preciso nos respeitar para estar nos espaços.

A causa do que acontece comigo está em mim e não no outro.

Toda vez que temos que falar sobre respeito, significa que ele não existe. Se existe respeito, ele não vira pauta.

A gente precisa estabelecer um outro tipo de comunicação, a partir das nossas necessidades, das nossas observações, para conseguir ter uma troca benéfica.

Caminhos para diálogos difíceis

A primeira coisa antes de ir para um diálogo que você já sabe que existem pontos divergentes, como num debate político, que é o foco do nosso momento hoje, a primeira coisa é refletir: que tipo de observador é esta pessoa? Qual a história dela, de onde ela vem, como ela se comunica? Sabendo disso eu consigo entender mais sobre como essa pessoa dá sentido para as coisas.

Uma reflexão que é também a partir do nosso olhar de observadoras, que não é a verdade absoluta das coisas, mas é o referencial que temos. A partir dessa reflexão eu já me preparo melhor para essa conversa. Decido não entrar tentando convencer esta pessoa, por exemplo. Quando eu entro tentando convencer também é a partir de muito julgamento, que já coloca o outro num modo de querer se defender, de colocar as . Temos que tomar muito cuidado antes de entrar nesta conversa.

Mas mesmo que eu consiga parar, me centrar, pensar com cuidado na emoção que eu quero trazer, no resultado que eu espero obter, no pedido que eu vou fazer e respeitando o tipo de observador que a outra pessoa é, ainda sim, pode dar errado. Essa pessoa pode falar alguma coisa que vai gatilhar em mim uma emoção que eu não vou conseguir controlar, vai me dar raiva, vou querer partir pra cima, vou esquecer tudo que eu tinha preparado antes. Porque a raiva é biológica, ela me coloca em posição de ataque, de querer anular o outro. E se eu entro nisso eu perco a chance de eu obter aquilo que eu esperava da conversa. A raiva nos coloca nesse lugar e não conseguimos ter muito controle.

É preciso ter muito cuidado e consciência do que me dá raiva. E se ainda sim eu quero tentar tirar algo dessa conversa, preservar essa relação, transformar minimamente essa conversa numa conversa significativa, eu vou precisar respirar essa raiva de outra forma. Não de uma forma que me anule, mas que possa ser construtiva. Se eu deixar que essa raiva me domine, eu não vou conseguir. E ok, às vezes ela vai dominar. Mas se isso acontecer, eu ainda posso parar. Eu posso dizer que a partir desse momento eu não consigo mais. Às vezes a gente precisar encerrar a conversa, precisamos fazer a conversa em outro momento. É muito mais digno com a gente mesmo quando a gente parte para uma postura desta. Se pra mim é mais importante preservar a relação do que seguir na conversa, é importante parar se eu já não consigo mais ouvir, falar. A gente sai.

É imporantante a gente se autopreservar, estar neste espaço de autocuidado, para se preservar. Isso é muito importante.

Mas às vezes estamos num espaço de briga, de embate. Não é um espaço de construir. E dai vamos até o fim se não queremos preservar aquelas relações. Mas é importante, principalmente nestes espaços, não perder de vista o que eu não quero perder de mim. Me preservar. Isso é diferente do espaço de um diálogo construtivo, dentro de uma relação que queremos preservar.

Formas de comunicação que não são benéficas

Comunicação punitiva ou impositiva são as piores formas de comunicação. São comunicações em que sempre vamos perder alguma coisa se não estivermos de acordo com o que o outro quer e vice versa. A gente tem que tomar cuidado com isso. Nesses nossos debates a gente parte para algo que não é benéfico. Importante buscar não partir para a anulação, punição.

Análise das necessidades dos eleitores

Medo da morte e do sexo - bases dos medos e necessidades de quem vota no Bolsonaro.
Medo de perder a liberdade - base do medo e da necessidade de quem não vota no Bolsonaro.

Tipos de escuta, abertura.

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