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Política: há luz no fim do túnel?

Manas, a situação nesse país está tão feia que anda sendo até difícil escolher um único tema para escrever. Na minha vida (e imagino que na de vocês também) anda rolando uma overdose de assuntos de política, o que não é exatamente divertido dada a nossa situação. Mas começo a achar que há luz no fim do túnel, pelo menos por parte do movimento das mulheres.

Sabe por quê? Porque o governo Temer vem sendo escandalosamente discriminatório e excludente conosco.

Isso está longe de ser bom, mas é algo que pode fazer a gente se unir para lutar em torno dos nossos direitos. E eu acho que isso já está começando a acontecer.

A total ausência de mulheres entre os novos Ministros foi algo que chamou muito a atenção da mídia e obrigou Temer a dar respostas rápidas para disfarçar a desigualdade - só disfarçar mesmo. Nomeou uma mulher para presidir o BNDES, recriou o Ministério da Cultura e convidou não uma, mas cinco mulheres para chefiar a Pasta. Todas elas disseram não. Diante de tantas negativas seguidas e da necessidade de nomear alguém, Temer cedeu e colocou um homem (Marcelo Calero) em frente ao Ministério.

Por incrível que pareça, vejo isso como algo positivo: entendo que os convites foram recusados porque as mulheres se negaram a participar de uma farsa política.

Sabiam que sua nomeação serviria de panos quentes e de argumento eterno para o governo interino se defender de acusações de falta de diversidade. Elas recusaram o convite de chefiar um Ministério em nome de todas as mulheres excluídas e não representadas neste novo momento. E isso é bonito pra caramba.

Na verdade, é bem triste que a gente tenha que se apegar a isso pra não morrer de desgosto, mas é o que temos. As recusas foram gestos muito pequenos mas muito simbólicos de que nós resistimos. Estamos cientes de todos os ataques contra a nossa cidadania, mas resistimos. Como sempre.

Andei vendo muitas mulheres favoráveis ao impeachment reverem seus conceitos e apoios quando perceberam que o governo que se formou está absolutamente despreocupado com as nossas pautas. É mais um motivo para eu nutrir um pouco mais de esperança.

Nunca é tarde pra exigir mudanças e direitos.

A esperança e os gestos simbólicos não bastam para conter as pautas retrógradas que batem à nossa porta. São um começo, um tiro de largada pra a gente se unir e ir pras ruas protestar. Estamos com muita raiva, tristeza e desilusão, mas todos esses sentimentos são ingredientes poderosos pra transformação.

Eu preferia que nunca tivéssemos que passar por essa crise, mas já que  aqui estamos, que ela faça jus ao ditado e seja uma oportunidade pras nossas pautas se afirmarem e pra abrir os olhos de todas as mulheres sobre como a gente precisa se unir.

Tá difícil, mas não é impossível.

Vamos juntas!


Nana Soares é jornalista que vai escrever sobre desigualdades de gênero até elas deixarem de existir. Co-autora da campanha contra o abuso sexual do Metrô de São Paulo, escreve sobre feminismo e violência contra a mulher para o Estadão e faz parte do Pop Don’t Preach, um podcast sobre feminismo e cultura pop. 

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