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Cosméticos do bem: caminhos das pedras

Produtos de beleza e higiene são usados de forma contínua, todos os dias. Com o desenvolvimento da indústria química passamos a entrar em contato com substâncias que nunca existiram antes, já que não existem na natureza. E se essas substâncias não são adequadamente metabolizadas e eliminadas, acabam se acumulando em nosso corpo. É esse efeito cumulativo que nos traz riscos potenciais.

Um homem usa, em média, 6 produtos de higiene pessoal por dia, e a mulher, 12, o que significa uma exposição a cerca de 168 substâncias químicas diferentes a cada 24 horas. Nosso corpo pode até conseguir lidar com pequenas quantidades de uma determinada toxina, mas muitas “pequenas quantidades” juntas acabam potencializando a toxicidade uma da outra, daí o efeito sinérgico.

Mas que raios de substâncias são essas e o que elas causam?

Hoje, cerca de 80.000 produtos químicos estão em uso comercial. Na indústria de cosméticos, menos de 20% desses químicos foram devidamente testados quanto à segurança para a nossa saúde. Dentre os testados, alguns são permitidos - em pequenas quantidades - mesmo demonstrando efeitos adversos. Aí vão alguns exemplos de ingredientes do mal:

- Tolueno: é um subproduto do petróleo, encontrado em esmaltes e cosméticos. Pode afetar o funcionamento do cérebro e o sistema nervoso ou até o crescimento fetal e infantil.

- Formaldeído sintético: é um composto orgânico volátil (COV) extremamente prejudicial à  saúde, geralmente encontrado em esmaltes e relaxantes capilares. Os COVs são produtos que vaporizam e contaminam o ar. O formaldeído sintético é tóxico e cancerígeno.

- Alumínio: metal tóxico amplamente usado em desodorantes, sprays nasais e xampus. Quando produtos com alumínio, como o desodorante, são aplicados em áreas próximas aos seios, há um risco dos químicos serem absorvidos e afetarem a produção de estrogênio, desregulando o funcionamento do sistema endócrino.

- Parabenos: conservantes sintéticos encontrados em cosméticos, produtos de higiene e até em loções para bebês. Pode prejudicar o funcionamento do sistema endócrino e causar alergias severas.

- Lauril sulfato de sódio: criado para limpar e fazer espuma, é geralmente encontrado nos xampus, sabonetes líquidos e pasta de dentes. Não é fundamentalmente perigoso, mas durante seu processo de criação pode ocorrer contaminação por 1,4-dioxano, um subproduto cancerígeno que enfraquece o sistema imunológico.

- Fragâncias sintéticas: feito com óleos produzidos a partir do petróleo, esses compostos químicos chamados ftalatos são encontrados em sabonetes, loções, xampus, desodorantes, condicionadores e perfumes. É relacionado com disfunções hormonais.

- Chumbo: encontrado frequentemente nos batons, pode causar aumento em problemas neurológicos, distúrbios no sangue, depressão e deficiência de aprendizado e comportamento em crianças.

Se quiser explorar esse universo com maior profundidade e saber mais a respeito de outras substâncias, sugerimos este artigo, da Lookaholic. 

E agora, José?

Ao nos depararmos com esse tipo de informação, é natural nos sentirmos horrorizadas e desorientadas. Mas não há motivos para pânico. Já existem no mercado muitas possibilidades de cosméticos e produtos de higiene que só utilizam componentes inofensivos para o corpo. <3

Legal. Mas para escolher esses produtos “do bem”, precisamos saber de algumas coisinhas importantes antes. Leia e esteja preparada para todo o sempre :)

1. Palavras como mineral e natural são usadas de forma incorreta, com o único objetivo de aumentar as venda.

2. Os cosméticos podem possuir dois tipos de componentes: os naturais e ossintéticos.

Componentes naturais são, como o próprio nome sugere, aqueles encontrados na natureza, e eles podem ser de origem animal, vegetal ou mineral.

Quando falamos de cosméticos minerais, por exemplo, estamos tratando de produtos compostos por minerais naturalmente vindos da terra, como a mica, óxido de zinco, óxido de ferro, dióxido de titânio, entre outros. Esses minerais podem fornecer não somente pigmentos, mas também proteção solar e efeitos anti-inflamatórios. Se você compra uma maquiagem mineral, espera que ela não tenha ingredientes controversos como parabenos e ftalatos, assim como corantes sintéticos e fragrâncias prejudiciais para peles sensíveis. Mas fique atenta, nem todo produto dito “mineral” tem 100% dos seus ingredientes de origem natural/mineral.

Os componentes sintéticos são matérias-primas inteiramente sintetizadas em laboratório que podem imitar ingredientes da natureza ou nascer de elementos artificiais, como um ativo patenteado. Muitos deles são derivados de petróleo e, dentre os conservantes, os parabenos são os mais usados. Note que nem todo componente sintético causa malefícios à saúde, e alguns apresentam, inclusive, benefícios interessantes, mas é muito mais complicado prever a reação de cada corpo a este tipo de sustância.

Os chamados cosméticos naturais devem possuir, em suas fórmulas, componentes majoritariamente naturais. Para se obter uma certificação de cosmético natural, os critérios variam dependendo da certificadora. Para a Ecocert, por exemplo, cosméticos naturais devem ter no máximo 5% de ingredientes sintéticos e no mínimo 5% de ingredientes certificados orgânicos. Além disso, dentre todos os ingredientes de origem vegetal, pelo menos metade deve ser de origem orgânica e certificada.

Ainda segundo os padrões da Ecocert:

Os cosméticos orgânicos devem ter 95% dos seus componentes de origem natural, e no mínimo 10% de origem orgânica e certificada. Além disso, dentre todos os ingredientes de origem vegetal 95% deve ser de origem orgânica e certificada.

Cosméticos veganos são produtos livres de ingredientes de origem animal e também não são testados em animais. Isso não garante que eles sejam livres de componentes sintéticos - a não ser que eles sejam também naturais e/ou orgânicos.

Por último, matérias-primas orgânicas são aquelas advindas de plantação e cultivo sustentável, sem agrotóxico.

Ufa. :P

Dentro de cada uma dessas características, existem produtos para quase todas as necessidade diárias: shampoos, condicionadores, sabotes, creme dentais, desodorantes, hidrantes, óleos e por aí vai.

3. Os óleos são, dos produtos naturais, os que têm maior propriedade terapêutica e funcional. São simples, do ponto de vista de produção, e também super fáceis de criar em casa.

Os óleos essenciais são compostos extraídos diretamente das plantas, e são considerados a essência concentrada delas. Possuem pouca ou nenhuma substância oleosa e carregam o aroma e as propriedades da planta específica.

Os óleos vegetais (ou carregadores) são extraídos das sementes de plantas e frutas, são bastante concentrados e a maioria deles pode ser usada na pele, com atenção para a exposição ao sol. Cada óleo vegetal tem uma propriedade terapêutica própria, e pode ser combinado com óleos essenciais. Eles aumentam a proteção da pele contra a perda de líquidos e não bloqueiam a respiração celular. São ótimos hidratantes e podem ser usados diariamente ou em massagens junto com óleos essenciais.

Diferentemente dos óleos minerais, os óleos de origem vegetal não causam reações alérgicas, não são comedogênicos e são biodegradáveis, por isso não poluem e nem agridem o meio ambiente.

4. Lindo, mas onde encontro esses produtos todos?

Bom, existem muitas lojas por aí, mas pra facilitar sua vida separamos aqui algumas que tem boa reputação e em que podemos confiar.

- Beleza Orgânica: xampoos, condicionadores, maquiagens e cosméticos em geral.

Alva: maquiagem orgânica e cremes.

Phytoterápica: óleos vegetais e essenciais

Ikove: produtos para cabelos e óleos.

Sal da Terra: sabonetes e produtos de banho.

Para quem tiver com vontade de saber mais e se aprofundar no assunto, sugerimos começar pelo blog Lookaholic, da Nyle Ferrari. Ela fala um pouco aqui sobre como saber se o ingrediente de um cosmético te faz mal. Para quem quer entender mais sobre os selos dos cosméticos naturais e orgânicos, aqui tem mais. E, por fim, um guia esperto de compras de maquiagens que não fazem mal a saúde aqui.


Texto publicado originalmente no Cinese


Giovana Camargo é co-fundadora da Comum. Se dedica a empoderamento feminino através de encontros, conteúdos e consultorias de projetos pra mulheres. 

Giovana Camargo

Giovana é entusiasta de movimentos colaborativos, comunicação não-violenta, feminismo e comunidades de mulheres. Hoje se dedica ao empoderamento feminino, dela e de outras mulheres, através de assessoria de projetos pra mulheres e nas
longas conversas que cultiva com elas entre um café e outro.

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