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Construção da jornada: como foi a cocriação com especialistas do tema em São Paulo

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Nós, mulheres, não somos educadas para que entendamos nosso corpo. Ao longo de séculos de história, sempre foi assim.

Somos pouquíssimo empoderadas quando o assunto é autoconhecimento. E, quando falamos em saúde, nossos direitos vão muito além de apenas curas de enfermidade — estamos falando de bem-estar físico, emocional e mental de cada uma de nós.

Não podemos conceber a saúde da mulher como algo desvinculado do seu papel dentro da sociedade e de sua esfera íntima, descolar corpo e mente, falar de funcionamento biológico pura e simplesmente, sem pensar em como a gente quer viver a vida.

Nossa saúde fala também sobre a nossa coerência.

Esse assunto sempre foi um tema vivo para nós, aqui na Comum. É só ver, no fórum, quantos tópicos já perpassaram o tema desde que nascemos, em 2016:

+ Corpo emocional e físico: quando a nossa mente reflete a nossa saúde

+ A indústria alimentícia nos tempos atuais: o que você come?

+ Nossas questões com nosso corpos

+ Saúde mental

+ Coletor menstrual: dúvidas e dicas sobre o uso

Por isso, a nossa saúde virou o foco da nossa próxima jornada, que começa ainda esse mês, em março, e vai até o fim de abril.

A ideia é refletir sobre uma nova visão de saúde, mais ampla, menos conectada à doenças e enfermidades, a médicos e procedimentos. Nesse caminho, a ciência segue sendo importante, mas antes de lançar mão dela, precisamos nos conectar conosco mesmas, com nosso corpo, nossos sintomas, nossos ciclos.

Essa é a nossa proposta: ganhar conhecimentos importantes, entender caminhos possíveis e descobrir ferramentas para que possamos tomar as rédeas dos nossos processos de saúde e, assim, fazer escolhas mais eficazes e coerentes, sejam elas conectadas à medicina alternativa ou convencional.

"Autonômia é um caminho doloroso de mais desaprender do que aprender. Mas é uma visão e uma atitude política." - Ellen Flamboyant

O importante é estarmos à frente da nossa saúde, sermos sujeitos ativos dela - e não mais coadjuvantes.

A cocriação em São Paulo

Para começar a desenvolver essa trilha, mapeamos mulheres incríveis, conectadas ao tema da saúde por diferentes recortes, e organizamos uma cocriação presencial, na última quarta-feira, dia 20.02, em São Paulo.

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Além do time da Comum, estiveram conosco, para nos ajudar a desenvolver os conteúdos dessa trilha, as seguintes especialistas:

1. Melissa Setúbal: pioneira em Saúde Integrativa no Brasil, é certificada pelo Institute for Integrative Nutrition e pela American Association of Drugless Practitioners (AADP). Especializada em Saúde da Mulher, criou o Sistema “Ame-se por inteiro”.

2. Ellen Flamboyant: obstetriz do coletivo feminista sexualidade e saúde.

3. Marina Pipatpan: pesquisa, há anos, num nível pessoal, sobre como podemos nos auto massagear, escanear nossos movimentos e observar o corpo para tratar de questões de saúde. Foco em movimento, medicina tradicional Tailandesa.

4. Nicole Vendramini: trabalha com marketing de indústrias alimentícias. Hoje, faz parte da equipe de comunicação da Mãe Terra e é criadora do projeto @vidadeavocado, que tenta desenrolar o significado de uma vida com mais propósito levando em consideração a individualidade de cada história.

5. Marina Colerato: fundadora e editora do Modefica, que dissemina conteúdo sobre moda, veganismo, economia e temas que propõe reflexões profundas sobre como podemos ser seres humanos melhores, mais conscientes e aptos para impactar nossa comunidade de maneira positiva.

6. Luiza Soler: advogada, especialista em gênero e sexualidade, e mestranda em saúde coletiva. Seu tema é saúde sexual de mulheres lésbicas.

7. Juliana Boniconte: psicóloga, também pesquisa sobre comida e nutrição.

Na metodologia da Comum, é a mistura de perspectivas que faz com que os percursos fiquem realmente ricos e diversos. E foi exatamente isso que aconteceu nessa cocriação. Falamos de alimentação, ciclos, ginecologia natural, auto-toque, direitos sexuais e saúde reprodutiva, saúde LGBT e diversidade, bioindividualidade, padrões estéticos, entre outros temas representados por cada uma das especialistas convidadas.

O resultado

Foram várias atividades e conversas importantes para entender o caminho que precisávamos trilhar.

"A gente vai ficar se curando até o fim da vida. É um processo." - Marina Colerato

Depois de muito trabalho, chegamos a um desenho de percurso para essa trilha, que envolve os seguintes pilares:

Contexto histórico:

Para entender o presente, é preciso que olhemos para trás. Só assim compreenderemos padrões para que possamos desconstruí-los e para que nos tornemos protagonistas dos nossos processos individuais. É nesse pilar, particularmente, que olhamos para a temática através do recorte de gênero.

Autocuidado:

Para além das enfermidades, como olhamos mais genuinamente para nossa saúde de forma integral? Como protagonizamos experiências mais humanas, mais acolhedoras e possíveis sobre a saúde feminina?

Bem-viver:

Saúde não é somente sobre o corpo, mas também sobre a maneira que interagimos com o mundo. De que forma levamos o conceito de saúde autônoma também para um modelo de vida mais consciente? Por quais caminhos desenvolvemos uma autonomia maior e um poder de escolha mais acertado na forma como vivemos?

Serão 2 meses de um mergulho profundo no tema aqui na parte exclusiva para assinantes da Comum, através de textos, vídeos, podcasts, hangouts, papos no fórum online, encontros e práticas. Então, prepare-se. :)

Para as mulheres novas por aqui, lembramos: as trilhas são jornadas, vividas parte individualmente e parte coletivamente, que propomos para as mulheres da comunidade. Sem pressa, sem correria: são cerca de 2 conteúdos novos por semana, para cada uma viver com calma, no seu tempo. Queremos ir no contra-fluxo da web, produzindo um conteúdo profundo e relevante, para ser vivido com tranquilidade. 

O nosso propósito é que, através dessas trilhas, encontremos um caminho de transformação. Por isso, além dos textos, proporcionamos várias outras ferramentas para aprofundamento do tema: o fórum, encontros virtuais e presenciais, práticas para fazermos em casa. É só assim, trocando com outras mulheres e trazendo os aprendizados para a prática diária, que a gente floresce de verdade.

Vamos juntas, que a trilha mais bonita da nossa história está no forninho e começa em breve.

Enquanto isso, passa no fórum (abaixo) para engatar nas conversas sobre saúde que já estão rolando por lá.

Até breve.


A nossa conversa segue sempre no fórum:

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Anna Haddad é fundadora da Comum. Trabalha com projetos que envolvem gênero e educação, principalmente no campo social, e escreve sobre o assunto por aí.

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