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Minas nos Quadrinhos #3: 10 quadrinistas que falam sobre mulher e gênero

Esse texto faz parte da série Minas nos Quadrinhos, um espaço pra gente falar de mulheres que estão revolucionando esse mundo e indicar leituras indispensáveis.

Para o texto de hoje, separei alguns nomes que gosto e são mais voltados para questões de gênero.

São algumas autoras e títulos para você conhecer um pouquinho e (espero) se apaixonar tanto quanto eu pela 9ª Arte. Vamos lá. 

1. As magníficas de 24

São 5 mangakas que nasceram na mesma época (ano 24 da Era Showa, ou, para nós ocidentais, 1949). Elas são: Moto Hagio, Riyoko Ikeda, Yumiko Oshima, Keiko Takemiya e Riyoko Yamagishi.

Foram mulheres que escreviam mangás shoujo (voltados para o público feminino). Normalmente eles abordam temas mais voltados para as mulheres (puberdade, envelhecimento, gravidez, aborto, casamento, etc.), até questões mais gerais (trabalho, política, economia, cultura, etc.).

Mas a parte mais importante dessa geração de mangakas femininas de 1970 foi que ela revolucionou a linguagem dos mangás. Elas libertaram os “quadros” de retângulos uniformes e linhas fixas. Elas davam aos quadros a forma e a configuração que melhor adaptassem às emoções que queriam evocar com seus personagens. Dessa forma, tempo e narrativa não estavam mais encaixotados, e tinham mais liberdade de expressão. Muitas vezes elas deixavam o fundo da página vazio, mas decoravam a área em torno da cabeça dos personagens com uma abundância de efeitos expressionistas e texturas, como: raios de choque, chamas de raiva, cinzas de desespero, pedras rolando de angústia, faísca e brilhos de afeição, etc. Era uma forma de ver os sentimentos dos personagens através desses recursos. Em outras palavras, grande parte da linguagem que conhecemos hoje como característica dos mangás e animes foi desenvolvida por mulheres.

2. Gabriela Masson, ou Lovelove6

Não podia faltar a autora da história em quadrinhos Garota Siririca, das zines A Ética do Tesão na Pós-Modernidade I e II e das tirinhas do Batata Frita Murcha. Gabriela trata de temas como sexualidade, relações de poder, feminismo, e claro, masturbação feminina. Tudo com a leveza e naturalidade que deveria ser levada.

Para ler agora: Garota Siririca

3. Fundadoras do Estúdio Complementares

Elas são: Ana Luiza Koehler, Ariane Rauber, Cris Peter e Ursula Dorada. Duas das quais entrevistamos para a Comum. Elas estão envolvidas em diversas discussões sobre machismo e o espaço das mulheres nos quadrinhos já. Cris também nos contou que em todas suas produções autorais busca criar personagens inclusivos e empoderadores.

Para ler agora: Patas Sujas ou O Beco do Rosário

4. Laura Athayde

A brasileira mais conhecida com o codinome de BoobieTrap arrasa nas suas ilustrações e tiras sobre questões do universo feminino, de relacionamentos e de gênero. Ela foi uma das 5 ilustradoras em uma exposição da FIQ que reinventou uma heroína pensando na cultura brasileira. A dela foi a Hera venenosa, olha que linda!

Além de ótima quadrinista, a Laura é uma ótima colunista para se acompanhar. Sempre postando textos e dicas em diversos sites.

Para ler agora: O primeiro quadrinho dela é o Arquipélago. É um quadrinho que não tem protagonista. O ponto de vista é passado de personagem para personagem, sem que se faça muita ideia de para onde se está indo. Uma história de pequenas reflexões.

5. Aline Lemos

Mais conhecida como Desalineada, Aline se destaca pela série “Mulheres na Arte” que fez sobre artistas brasileiras e seus respectivos movimentos artísticos.

Também participa de coletâneas e zines com temas que envolvam violência de gênero, identidade ou abuso. Embora seja uma quadrinista que aborda temas diversos, todos eles permeiam temas sociais e feministas. Também é organizadora da lista “A Legião de Mulheres nos Quadrinhos no Brasil”.

6. Beliza Buzollo

Mais uma que gosta de falar sobre mulheres que gostam de mulheres, mas dessa vez com muito alívio cômico. Mas ao acompanhar mais de perto, percebe-se que Beliza trata basicamente de mulheres se relacionando, seja amorosamente ou não. O bom é que todo o conteúdo é online, então é só entrar Na Ponta da Língua e ser feliz.

7. Thaïs Gualberto

Conheci a Thais lendo a seguinte frase: “Assim como nem tudo no quadrinho nacional gira em torno do humor, nem todo humor nos quadrinhos é feito por homens.”

E gente, não é que a mina destrói no humor inteligente, com pitadas afiadas de feminismo?

Ela também fala sobre anticoncepcionais (e seus danos à saúde), calcinha que não combina com sutiã, sobre engordar, moda, padrões de beleza, aborto, uma penca de questões com as quais lidamos enquanto mulheres.

Para ler agora: Olga, a sexóloga. Melhor de tudo é que tem online e impresso, se quiser contribuir.

8. Sirlanney Norgueira

A autora do Magra de Ruim discute e questiona o papel da mulher na sociedade, na produção de quadrinhos, conta suas vivências e também aborda feminismo com muita naturalidade. Eu adoro os desenhos e tiras dela, acho que ela tem uma capacidade fora do normal de satirizar situações corriqueiras do cotidiano feminino.

9. Ana Terra

Tem a página Extraterrestre, onde posta suas tirinhas feministas questionando prisões estéticas, incentivando aceitação do corpo, compartilhando dilemas e ansiedades que permeiam o cotidiano feminino. Ela tem uma pegada mais voltada pro humor também, e pode alegrar sua timeline do facebook

10. Renata Nolasco

Mais uma com ótimos quadrinhos e ilustrações “nada tóxicos ou imorais”. Seu trabalho também permeia temas feministas e empoderadores.

Escolhe uma e começa. Tem mulher incrível nessa lista pra uma vida inteira.

Até a próxima.


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Luiza de Castro trabalha como colorista em cinema e vídeo, além de ser a videomaker da Comum. Tem focado seu trabalho cada vez mais em temas sociais e que auxiliem outras pessoas. Amante de cor, cinema, fotografia, muitas nerdices e fofurices. Adora aprender coisas novas, valoriza pessoas e sempre topa uma cerveja ou um café para seguir com conversas e abrir diálogos. 

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