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Acessibilidade do corpo gordo: episódio #2 da nossa série sobre gordofobia

Se uma pessoa com mais de 120 quilos necessitar de uma ressonância magnética, precisará fazê-la em uma hípica. Não é uma informação chocante? Isso porque os laboratórios de diagnóstico de imagem não são pensados para receber pessoas acima de 120 quilos.

Embora tal análise médica para esses corpos seja dificultada, o diagnóstico social, em compensação, está aí, nas nossas caras: há uma desumanização do indivíduo gordo. 

Por mais que leis digam que lugares públicos têm por obrigação garantir acessibilidade para todxs, sabemos que, na prática, a história corre diferente. Casas de show, bares, restaurantes, bancos, universidades, transporte público, avião: os corpos gordos não transitam livremente, nem têm seus direitos assegurados. 

Nesse bate-papo afiado, Rachel Patrício e Giovana Camargo destrincham a temática da gordofobia na sociedade. 

"Não entendemos o gordo como biotipo, mas como doença. Não desenhamos o mundo preparado para uma pessoa gorda e também não entendemos que é um corpo, que está tudo bem. Não temos isso com um corpo magro, de pensar que ele está doente. E aí justificamos tudo por uma preocupação com a saúde que é irreal porque não dá pra saber, te vendo, se você é uma pessoa saudável ou não." 
Giovana Camargo

Quando o assunto é um corpo gordo, fica à espreita o desejo constante de que ele emagreça para que não se precise lidar com o assunto. Não olhamos com esse selo de patologização para corpos magros. Por que, então, seguimos fazendo isso com outros corpos? Precisamos deixar cair a lente tão equivocada de que há algo de errado com pessoas gordas. Não basta descondicionar o olhar porque, se ficarmos só na teoria, a mensagem não se amplifica. Precisamos endossar a causa, fazê-la reverberar e dar voz e palco às minas que têm levantado essa bandeira.

A gente só se liberta e empodera quanto todas nós temos nossos direitos básicos atendidos. Seguimos. 


Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo, coordenadora de projetos com propósito e cientista poética. Certa feita, enamorou-se pela palavra inefável. Desde então, também mantém uma lista de pequenas coisinhas indizíveis.

 

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