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#4 Reconhecendo o caminho andado

Sempre achei que se contentamento tinha a ver com comodidade, no pior sentido da palavra. Se acomodar, não buscar melhorar.

Meu pai sempre me disse, desde pequena, pra eu não me "nivelar por baixo", pra eu me comprar sempre com os melhores e buscar ser ainda melhores que eles.

Essa é uma visão ocidental perigosa, que cresceu comigo. Ela vem junto com um tanto de autocrítica, julgamentos, pressão interna e social - e vem, muitas vezes até, junto com a ideia de meritocracia.

Contentamento como base para o florescimento

Foi depois de bem mais velha, com vinte e poucos anos, que eu descobri outra visão, com muito mais sentido que essa. A de um contentamento que traz paz. Que, diferente de nos transformar em seres acomodados, estagnados, imprime em nós um olhar de reconhecimento, gratidão e serenidade. Uma satisfação com o que existe ao invés de uma ansiedade eterna, uma busca constante por mais.

"O desejo é uma criatura com apetite insaciável. Como uma fagulha que atinge a grama seca, ele simplesmente consome. Por sua própria natureza, não pode jamais se satisfazer, pois está enraizado na agressão de procurar alívio fora de nós. Essa expectativa sempre resulta em desapontamento, em dor que infligimos a nós mesmos."
- Sakyong Mipham, Governe seu mundo -

Quando descobrimos que a revolução está dentro, e que reconhecer o que há, a metade do copo cheio, ao invés de trazer foco pro que falta, é possível e efetivo, parece que uma chavinha vira e tudo se transforma ao redor.

Essa tranquilidade de base, essa visão de compaixão e acolhimento, do contrário do que meu pai ensinou, é chão fértil pra gente florescer cada vez mais. Não tem nada a ver com estagnação, com falta de movimento. Significa fluidez e um caminhar muito mais honesto e acertado.

Prática: mapeando a jornada

É essa visão que sugiro que a gente imprima nessa prática aqui. A de contentamento, a de um olhar pro que semeou e brotou de bonito. A ideia é exercitar e manter os óculos de  reconhecimento das coisas boas, a metade cheia do copo.

A prática em si é simples, de valorizar a nossa jornada individual e a coletiva, entre mulheres. 

Quando encerramos ciclos, fases, períodos - sejam individuais ou coletivos, como a virada do ano - é muito importante não só olharmos pras coisas objetivas que aconteceram, mas pro caminho de um jeito mais subjetivo.

Vamos fazer isso olhando pro ano de 2016, e também pra nossa jornada como mulheres. Já sabe: toma seu tempo, senta, respira fundo. Depois, pensa nas seguintes perguntas e, se puder, escreva em algum lugar. Vamos lá:

1. Meu ano

O que aprendi?

O que ficou de importante e o que não era que se foi? 

Como entrei em 2016 e como saí dele? (sentimentos, aprendizados, transformações internas)

2. Nosso ano

A ideia aqui é recordar como caminhamos enquanto grupo, enquanto mulheres. Um olhar amplo pra empoderamento, libertações que tivemos.

1. O que aprendi como mulher? O que ficou vivo que antes não era, o que era vivo que já não está mais, que soltei, deixei passar?

2. O que vejo desse meu caminhar que é também de outras, compartilhado? Se quiser, pense em qual foi seu maior clique, luz, aprendizado aqui na Comum. <3

Depois que responder, compartilha com a gente no tópico da trilha no fórum.

Vou dividir minha prática por lá, mas posso dizer que ela foi importante demais pra eu entender como cresci e amadureci nesse ano sofrido. Foi intenso e lindo, ainda que árido. Meu maior aprendizado foi pisar no campo da autocompaixão, do acolhimento, comigo e com outras mulheres. E isso já vale mundos.

Seguimos. :)


Anna Haddad é fundadora da Comum. Escreve pra vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado pra mulheres.


A ilustra linda de capa é da artista Andréa Tolaini, que vai aparecer algumas vezes com ilustras especiais aqui na trilha. :)

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