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Manas, vamos falar sobre política?

Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas (15/05/2016)

Foto: Paulo Pinto / Fotos Públicas (15/05/2016)

Oi! Esse é meu primeiro texto nesse projeto lindo que é o Comum, e vamos começar nossa conversa falando de um assunto igualmente complicado e necessário: política. Não, eu não sou cientista política e nem especialista na área, mas eu sou uma mulher e sei que isso basta para meus direitos estarem ameaçados na atual situação do Brasil. Por isso, manas, precisamos conversar muito sobre o assunto. Nossos direitos e nossas vidas estão sob ataque, e a gente precisa ficar de olho nisso.

Para começo de conversa, a palavra “política” já desperta náusea em muita gente, o que é compreensível dado o jeito que ela é conduzida no pais. Mas política é mais do que votar a cada dois anos e assistir o noticiário sobre o que está rolando em Brasília. Política são as nossas orientações, decisões, escolhas e seus impactos subsequentes. Comprar arroz de marca A e não de marca B pode não parecer, mas é política. Não comprar nada de marcas acusadas de incentivar o trabalho escravo é política, escolher alternativas para não participar de um sistema consumista também. Aquela reunião com mulheres do seu bairro exigindo melhorias para todas é muito, muito política.

Pois bem, nós mulheres estamos nos fortalecendo cada vez mais e criando redes cada vez mais fortes. A começar por onde você está lendo esse texto. Desfrutando do resultado de avanços políticos do passado, nós tentamos mudar o presente e o futuro, mas as coisas não estão sendo muito fáceis. Os nossos movimentos de mulheres estão muito fortes, mas longe dos espaços formais de poder e de tomada de decisão, o que complica muito o andar da carruagem.

As mulheres são cerca de 52% da população do país e nem 10% da Câmara dos Deputados, que é onde realmente o futuro do país está sendo desenhado.

Se a nossa representação na população total não chega nem perto da participação política, não há outra conclusão possível a não ser a de que não estamos sendo bem representadas. Isso não é de agora, mas nosso atual Congresso é o mais conservador desde 1964, ano do golpe militar. E isso está longe de ser só uma coincidência.

A presidenta Dilma Rousseff foi afastada do cargo pelo processo de Impeachment. Quem assumiu o poder é Michel Temer, que anunciou nomes muito conservadores para ministérios e que está aliado com as nossas bancadas mais atrasadas e fundamentalistas. Entre os que apoiam o governo de Temer estão Marco Feliciano, os Bolsonaro, Eduardo Cunha e muitos outros nomes inimigos dos direitos das mulheres. Temer já deu todos os indícios que seu governo não vai se preocupar conosco. O exemplo mais descarado foi a indicação do bispo Marcos Pereira para o Ministério de ciência e tecnologia. Você não leu errado. Encontrei as meninas da Comum para um papo sobre o assunto e saiu esse vídeo aqui, um resumo sobre o que está acontecendo no cenário político atual, principalmente com relação às mulheres e os movimentos sociais:

Antes do processo de Impeachment, no entanto, já observávamos um legislativo pouquíssimo preocupado conosco e favorável a pautas muito conservadoras.

O ajuste fiscal também reduziu e muito a verba para políticas para as mulheres, e a nossa Secretaria de Políticas para as Mulheres se fundiu com outras Secretarias para formar um único Ministério que trata de todas as questões de minorias e direitos humanos. São tempos nada animadores.

Mas não podemos desanimar e, mais do que nunca, temos que ficar ligadas. É impossível discutir todo esse turbilhão que anda rolando no Brasil em um único texto, por isso nos encontraremos mais vezes por aqui para conversar sobre. Já dizia o ditado: quem não luta já morreu. E nós estamos vivíssimas. 

Ps: seguimos falando sobre política e como podemos nos engajar lá no fórum, nesse tópico aqui. Espero vocês por lá. 


Nana Soares é jornalista que vai escrever sobre desigualdades de gênero até elas deixarem de existir. Co-autora da campanha contra o abuso sexual do Metrô de São Paulo, escreve sobre feminismo e violência contra a mulher para o Estadão e faz parte do Pop Don’t Preach, um podcast sobre feminismo e cultura pop. 

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