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10 lições sobre relacionamento que o feminismo me ensinou

Ah, o romance.

Eu não sei vocês, mas eu não consigo me lembrar de um tempo no qual eu não soubesse o significado das palavras romance, amor e relacionamento. Talvez por eu ter nascido mulher e os contos de fadas terem “simulado” me ensinar sobre essas coisas, simplesmente não me ocorre um momento que eu tenha questionado isso, não me recordo de ter indagado os meus pais sobre o sentido da palavra amor e sobre porque as princesas se apaixonavam.

Claro que deixei de fazer muitas perguntas aparentemente óbvias para minha mãe, assim como passei boa parte da vida sem fazê-las a mim mesma. Eu demorei a me questionar qual era a importância dos relacionamentos afetivos na minha vida e, mesmo sem ter uma resposta sincera vinda desse lugar que costumamos chamar de “dentro”, por tempos pautei toda e qualquer chance de felicidade no fato de ter ou não o coração preenchido.

Demorei, mas eu descobri que ter o coração cheio não é uma prioridade e nem sinônimo de dependência, demorei, mas percebi ser a autonomia um dos pré-requisitos básicos para se viver uma paixão de forma completa e eu não teria conseguido enxergar isso caso o feminismo não me empoderasse.

Ok, você pode até se perguntar o que uma coisa tem a ver com outra, mas a ligação é muito simples:

A crença social diz que mulheres estão predestinadas ao amor, que somos mais sensíveis, disponíveis e emocionais.

Temos como missão o casamento, a maternidade, ser fiel e respeitar o mesmo homem até o fim dos nossos dias. Foi exatamente isso que me contaram os contos de fadas, as novelas, os livros e todas as outras mídias que de alguma forma participaram da minha formação. Convenceram-me, por eu ser mulher, que o amor me salvaria – e quem não quer ser salvo? Queremos a salvação mesmo quando não estamos perdidos (as razões que nos leva a isso já é história para outro texto).

Hoje, posso dizer que o feminismo mudou a minha vida em muitos sentidos: melhorou a minha atitude como ser humano, ampliou minha visão de mundo, me tornou mais sensível e solidária às necessidades de outras pessoas. Clareou a minha autoimagem e sem dúvidas contribuiu para uma reviravolta na minha postura diante dos meus relacionamentos amorosos.

Claro, cada relação deixa novos aprendizados, mas nenhuma dessas experiências pode ser transformadora caso não entendamos que somos donos da nossa própria história. Não há roteiro, nem atitude predeterminada a ser ensaiada. E nós, como mulheres, devemos nos atentar a mais uma lição: somos donas dos nossos sentimentos e as únicas pessoas responsáveis pela nossa felicidade. Ao colocarmos uma tarefa tão importante nas mãos de outra pessoa abdicamos um pouco de nós!

Sendo assim, quero dividir 10 lições que aprendi com o feminismo e me motivaram a me amar muito mais do que “amar o amor”.

1 – Eu não sou uma princesa e não preciso ser salva!

Acredito ser esse um dos pontos mais importantes para tomar as rédeas da própria vida afetiva. Escute: nós não somos princesas! Ficou claro? Então, sem chance de nos relacionarmos com um príncipe! E na boa, mesmo que você esteja nesse exato momento trocando mensagens de amor eterno com o príncipe Harry por whatsapp eu já te adianto não ser garantia o tal dos felizes para sempre e todos aqueles outros blá blá.

Não precisamos mofar e achar que a vida só vai começar a fazer sentido quando encontrarmos a tal da “cara metade”. Ninguém, além de você, vai mudar a sua vida. O amor é uma escolha, uma opção! Nós mulheres precisamos ter plena consciência de que há outros caminhos além do amor. Amar não é a nossa única opção, não é o nosso destino obrigatoriamente. Não precisamos esperar por ele, nem procurarmos desesperadamente por afeição. Esse é o primeiro passo!

2 – Amor e dor não são sinônimos

Há 420 anos, Shakespeare escreveu uma das histórias de amor mais irritantes de toda a literatura. Desde então, gerações e gerações acreditam que “grandes histórias” possuem um toque de tragédia. Na boa, não!

Não é necessário lágrimas, desencontros, noites de tormenta para viver uma paixão intensa.

Não mesmo, de verdade! Estar apaixonado pode até trazer alguns momentos de tensão, afinal, partilhar seu tempo, seu carinho e seu afeto com o outro não é uma missão simples. Entretanto, essa tensão nunca deve ser maior do que os momentos de tranquilidade. O amor é morno!

3- Sofrer por amor ok! Sofrer no amor... Não!

Em uma das minhas frustrações amorosas, uma pessoa muito próxima me questionou: “Mas como pode você “super feminista” sofrer por amor?!

Acho super “ok” sentir tristeza por um relacionamento não ter dado certo. Somos humanos – e acredito que as maiorias de nós tem sentimentos. Ok ficar triste em ter de dizer adeus para alguém que partilhou com você determinados momentos, sorrisos e olhares. Acabar uma situação nunca é algo fácil. E sim, eu sofro por amor! Mas passa... E sabendo que passa não precisamos nos enlaçar em relacionamentos que nada suprem as nossas expectativas. Dizer adeus dói... Mas é muito melhor do que dedicar vida e alma em algo que não nos faz bem.

4- Apaixonar-se menos pelo amor e mais por pessoas

Um dos episódios que eu mais gosto da série “Girls” retrata uma situação que vejo como um dos reflexos do “mito” do amor romântico. A protagonista, Hannah, encontra-se com o cara por quem acredita estar apaixonada em uma festa; nessa nova situação, em meio a outras pessoas que partilham do cotidiano dele de maneira mais completa e efetiva, ela descobre que não sabe nada sobre a pessoa com quem está envolvida. A necessidade de amor é tão urgente, que muitas pessoas se apaixonam pelo próprio amor, pelo “status” de estar apaixonado, ou de um relacionamento e se esquecem de olhar para outro. Essa de dizer “eu não sei explicar porque, mas eu o amo” não convence! Se você ama alguém é porque essa pessoa te dá algum motivo razoável para isso. O amor não é cego! Nem ingênuo, muito menos sem explicação.

5- Não preciso me enlaçar a um relacionamento ruim!

Convencida de que o amor não é o seu único destino, você se sente livre para dizer adeus mais cedo. A pessoa não tem nada a ver contigo, desgasta a sua paciência, dá fora atrás de fora, vê o mundo de outro jeito, ironiza suas crenças, seus sonhos, suas vontades. Sério que você quer continuar? Empoderada saberá que não!

6 – Eu não sou de ninguém e ninguém é meu também!

O feminismo me mostrou que sou dona de mim. Em todos os aspectos! Sou dona do meu corpo, das minhas escolhas, da minha sorte, do meu destino. Não há nada mais libertador do que descobrir essas verdades. Uma pessoa livre conhece mais a si mesma, uma pessoa dona de si torna- se mais segura e mais forte. Isso automaticamente me faz acreditar que nenhum ser no mundo – por mais que eu adore, goste, admire, deseje – é minha propriedade. Amor sem amarras, sem cobranças, sem posse é amor de verdade! Em um amor assim você pode ver o outro da forma que é e não há no mundo quem não mereça ser visto sem nenhuma penumbra embaçada pelas expectativas.

7 – Ninguém é obrigado a me amar!

Não tem nada que mais me irrite do que pessoas que não sabem ouvir não! Homens precisam aprender a ouvir mais “não’s” e nós, mulheres, precisamos além de aceitar um não, apreender a identifica-los. Gata, ninguém é obrigado a querer ficar com você! O cara não querer se relacionar contigo não o torna um crápula, um cafajeste, alguém menor do que a pessoa que você idealizava. E obviamente isso não te torna menos incrível, especial e desejável.

8 – Não é um erro ser quem eu sou!

Umas das situações mais constrangedoras pra mim são os encontros com as minhas amigas e seus pares. Não sei como me comportar, o que dizer e o que posso ou não comentar. Garotas com as quais eu convivi a vida inteira e beberam, riram, choraram e dividiram a mesma cama comigo, me parecem completas estranhas. Elas necessitam ser outras pessoas para não ferirem a imagem construída para seus parceiros.

Afinal, mulher boa, é mulher fina e elegante! É mulher que não ri alto, não fala besteira, não tem medos e nem vícios. A mulher ideal, nem gente de verdade deve ser.

O feminismo me auxiliou a valorizar cada aspecto da minha personalidade, até mesmo os ainda crus. Não caio mais na cilada das encenações. Não vou fingir ser outra pessoa para agradar alguém, não vou tentar me adaptar de forma que fira a minha identidade. Estar desprendido de amarras torna qualquer relação mais gostosa e franca.

9 – Aproveitar as oportunidades!

Eu não sei se existe um amor destinado a preencher toda a minha vida. Não acredito na eternidade dos sentimentos, talvez ainda ingenuamente na possibilidade de regeneração que eles possuem. Até o que morre se transforma! Com isso de não buscar o amor da minha vida, sinto-me muito mais aberta a aproveitar cada história, cada momento, cada oportunidade.

10 – Não estar apaixonada não me torna menos completa!

A tal da história da metade da laranja. Muitas pessoas tornam minha vida mais completa. E não só pessoas! O meu trabalho me preenche, meus objetivos me movem, meus amigos e familiares me sustentam, minhas paixões quase me definem! Então, essa história de não se sentir completa quando se está sozinha não vale. Somos muitas coisas para encaminharmos a nossa existência a apenas uma direção.

E ainda digo mais: não conseguiria me apaixonar por uma pessoa aos pedaços, não conseguiria amar alguém que não soubesse ser inteiro por si só e por todas as coisas que o rodeiam. Não conseguiria compreender alguém incapaz de se somar ao seu mundo interno e a sua realidade exterior. Você conseguiria? Será que alguém consegue?!

Apenas chegando a si mesmo, você será capaz de se dar um pouco ao outro. O feminismo me permitiu conviver bem com quem sou. Essa lição melhora tudo!

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