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Abrace uma mina

Já faz algum tempo que vejo a questão da sororidade ser discutida em diversos jornais e revistas feministas pela internet. O conceito é dos mais simples, mas nem sempre a prática funciona assim. Afinal, como assim eu posso apoiar outra menina, independente de gostar dela ou não? Como assim eu posso defendê-la?

Como assim eu posso confiar em outra mulher?

Um grande exemplo que tivemos nos últimos tempos foi a quantidade de mulheres se manifestando e dando apoio para a presidenta Dilma. Abraçaço, textos e cartas em solidariedade e a explicação óbvia: podemos não concordar com seu governo, mas sempre apoiaremos outra mulher.

Nem precisamos ir tão longe assim para encontrar esse apoio. Iniciativas como o Vamos Juntas?, grupos de couchsurfing, carona, idioma das mina, grupos que divulgam vagas de emprego para outras mulheres estão aí para mostrar que somos uma grande rede de apoio.

Quando eu era adolescente tinha alguma dificuldade em manter amigas, porque nunca me enquadrava no que era esperado de mim. Entendo hoje que não era culpa de um lado ou de outro, e que nem mesmo havia culpa, já que apenas seguíamos o que era esperado de nós.

Uma sociedade machista é capaz de pregar padrões e, assim, facilmente coloca uma menina contra outra.

Dessa forma, quando comecei a aprender sobre feminismo, me senti abraçada e queria que todas as meninas com quem convivia aprendessem sobre. Minhas relações melhoraram com as colegas, com a minha irmã, com minha mãe, avó, tia… Consegui lidar melhor comigo e entender a importância de ter por perto meninas com as quais me identifico.

A internet (e o acaso) me trouxe muitas amigas que são parte essencial do meu dia. Seja as que vejo com frequência ou as que vejo raramente, ter uma rede de apoio faz com que eu me sinta muito mais confiante. É como uma tirinha que mostra o melhor da amizade entre mulheres: quando uma tá mal, todas as outras fazem questão de lembrar o quão maravilhosa ela é. E isso é o mais precioso que eu tenho.

No entanto, ter empatia por mulheres das quais não temos afinidade é algo a ser mais trabalhado.

Se eu não gosto de alguém, como vou me manifestar para defendê-la? Comigo funciona lembrar que, provavelmente, ela está numa situação na qual eu poderia estar também. Seja uma injustiça, uma ofensa, uma caminhada por uma rua escura, um julgamento ou um relacionamento abusivo: essas meninas poderiam ser eu.

Fora isso, há tantas outras situações que eu sequer posso imaginar como seja viver (lesbofobia, bifobia, transfobia, racismo, maternidade solo por exemplo). Se pensar sobre é difícil, imagina sentir na pele? Colocar-se no lugar dela é quase impossível, imagina lidar com isso todos os dias?

Quando vejo meninas se articulando para encontrar um abrigo para uma irmã que está sendo perseguida, quando vejo meninas participando de movimentos online e postando formas de ajudarem outras, gratuitamente, sem mesmo saber quem vai aparecer precisando dessa mão amiga, quando vejo meninas se manifestando com um #somostodas ou organizando um abraçaço para a presidenta, a eu de 16 anos que começava a aprender sobre feminismo tem seu coração inflado de esperança, de saber que é isso.

É esse o caminho. Tantas definições, textos e hashtags não demonstram só o que fazemos online, mas representa tudo o que estamos dispostas a colocar em prática na nossa vida. De um conteúdo despretensioso que criamos para um blog ou um sorriso para uma desconhecida na rua, criar essa abertura e proximidade é a forma mais pura de solidariedade. De sororidade.

Quando puder, pergunte para uma mulher na rua como ela está. Quando puder, pergunte como foi o dia de uma mina. Quando puder, acompanhe uma menina naquele trecho ruim da cidade. Quando puder, ajude com as crianças. Quando puder, dê uma mão.

Sempre que puder, abrace uma mina.


Franciellen Carneiro, 22 anos, Jacareí. Feminista. Jornalista que quer viver de escrever e conquistar o mundo. Meu Palanque | Twitter  

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