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#Intro: o quanto conhecemos nosso corpo e estamos à frente dos nossos processos de saúde?

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Faz algum tempo que mergulhei em um estilo de vida mais cuidadoso, com um olhar atento para os sistemas de produção, para o meio-ambiente e, claro, para a minha saúde. Não foi do dia para a noite, foi um processo. E se eu precisar apontar a maior surpresa que tive nessa jornada, não diria que foram os preços surpreendentemente justos dos orgânicos nem tomar consciência da quantidade absurda de lixo que produzo. Minha maior surpresa, mesmo, foi perceber que não conhecia o meu corpo.

Explico: em julho do ano passado resolvi tirar o DIU. Como parte desse percurso mais natural que vinha trilhando, percebi que a contracepção hormonal não me fazia bem. Não tomei essa decisão do nada. Pesquisei muito, fui a especialistas, ouvi pessoas que já haviam passado pela experiência. Decisão tomada, corri para marcar a retirada do dispositivo intrauterino. Além de sofrer uma resistência grande por parte da equipe médica — que não via motivos para o procedimento —, depois da cirurgia, tive de lidar com a verdade nua e crua: eu e meu corpo éramos completos estranhos.

Não sabia dos meus ciclos, não entendia o porquê de algumas doenças recorrentes — como a cistite de repetição — e tinha pavor de olhar para qualquer sintoma com mais atenção e cuidado. Bastava uma dor de cabeça para que eu corresse à médica mais próxima.

Curiosa, comecei a trocar experiências com outras mulheres para entender de onde vinha esse distanciamento entre mim e meu organismo. Descobri amigas que sabiam exatamente o que poderia surgir a cada ciclo, encontrei outras tantas que recorriam a plantas e ervas para tratar de pequenas questões cotidianas. Conectei-me a mulheres que praticavam atividade física com prazer porque se encontraram dentro de algo que fizesse sentido. Entre elas, algo em comum: todas, em algum nível, viviam uma vida mais prazerosa porque se empoderaram dos seus corpos e do que surgia a partir deles.

Aí caiu a ficha: a questão não era optar entre medicina convencional ou uma abordagem mais natural, mas me conhecer o suficiente para ter um bem-viver mais autônomo e equilibrado.

Na prática, isso significou uma mudança das grandes na forma como eu olhava para a minha saúde. Em vez de correr atrás de sintomas e doenças, passei a entender meu corpo como um organismo vivo, que está a todo momento emitindo sinais sutis do que precisa. Hoje, quando adoeço, a enfermidade se transforma na possibilidade de diálogo comigo mesma: de onde isso veio? Como veio? Quais são meus caminhos de cura? Como posso protagonizar uma experiência mais humanizada e acolhedora nesse momento?

Desde então, tem sido uma jornada e tanto. De leituras, de experiências, de trocas, de erros e acertos e recalculos de rota. Mais importante que isso: tem sido um percurso benéfico. Para mim e para quem está em minha volta.

Esse é um assunto não só necessário, mas imprescindível para nós mulheres. E é por isso que iremos, a partir de março, abordá-lo aqui na Comum. Durante essa semana, iremos emergir no tema e cocriar nossa próxima trilha de conteúdo, que começa em março: Saúde Autônoma.

Por aqui, queremos fomentar a discussão e ouvir de vocês o que tem pegado aí, do outro lado da tela. Quais questões têm brotado quando o assunto é saúde? Quais são as urgências? Em que ponto dessa jornada vocês estão?

Espero vê-las em março para que a troca siga aquecida e para que, juntas, a gente se descubra e se empodere dessa casa preciosa que é nosso corpo. Até breve.


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Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo e coordenadora de projetos com propósito. Na Comum, é editora-chefe, participante e caseira. 

A arte é da ilustradora Laura Berger.

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