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#13 Práticas de cuidados com a mente e auto-observação para uma vida mais saudável

Ouvimos falar com frequência sobre qualidade de vida, saúde, alimentação, hábitos saudáveis. Todos esses itens detêm uma importância considerável para uma vida mais cheia de bem-estar, mas há aí uma lacuna que ainda precisa ser preenchida: a saúde mental. Os cuidados com nossa mente aparecem, na maioria esmagadora das vezes, quando já há algum problema enraizado no nosso dia a dia. Mas será que não há uma outra maneira de lidar com isso? E se fosse rotineiro o cuidado com a nossa mente? E se nos auto-observássemos com mais frequência e trouxéssemos para a nossa vida práticas simples, que incentivassem nosso saúde mental?

 Ilustração: Laura Berger

Ilustração: Laura Berger

Conversamos com duas mulheres incríveis — a psicóloga Renata Pazos e a educadora e tutora do Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB) Stela Santin — e pedimos para que sugerissem práticas simples, que pudessem ser aplicadas no nosso dia a dia e que fizessem a diferença na nossa saúde como um todo.

Vale ressaltar, é claro, que tais sugestões são apenas ferramentas que podem auxiliar, e muito!, na nossa auto-observação. De forma alguma elas substituem tratamentos psiquiátricos ou a necessidade de consultas e diagnósticos médicos em casos clínicos.

Vamos lá?

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Prática sugerida por Stela Santin

Todas conhecemos bem essa situação: olhamos para nossa lista de tarefas e para o tempo que nos propomos a realizá-las — ou que temos de realizá-las! — e constatamos: “Vixe, não vai dar tempo”. E começamos a acelerar; nossa respiração fica mais curta, talvez até entrecortada, mas nem percebemos. Uma enxurrada de pensamentos e ideias começa a se interpor. “Por onde começar?” Pode até surgir uma sensação de paralisia e desânimo.

No meio desse processo, nós nem notamos, mas nossa energia vital começa a ficar comprimida porque a condicionamos ao término bem sucedido de nossas tarefas e assim nossa energia vai perdendo sua autonomia e fica na dependência do que acontece externamente. Em outras palavras, é como se mandássemos uma mensagem para o nosso corpo: só vou deixar você relaxar quando você terminar todas as tarefas. Mas, curiosamente, a nossa lista de tarefas nunca termina! Não só nunca termina como está em constante proliferação! Tão pronto terminamos um projeto, já começamos outro. E outras coisas que nem imaginávamos começam a surgir no meio do caminho, nos demandando atenção. E não há propriamente algo de errado nisso, afinal, a vida é mesmo muito dinâmica e resiste às nossas tentativas de controlá-la.   

A complicação e nossa perda de autonomia começam a se dar quando condicionamos nossa energia à conclusão bem-sucedida de nossos projetos e tarefas. Como sabemos por experiência própria, não conseguimos concluir muitos dos nossos projetos ou nem sempre eles saem do jeito que imaginávamos, então, nosso desafio acaba sendo o de manter a energia circulando de forma desimpedida e fluída mesmo em meio a listas infindáveis de tarefas ou projetos.

A vida nunca se resolve.

Nunca conseguimos responder todos os e-mails. Nunca conseguimos deixar nossa casa 100%, há sempre algo precisando ser ajustado ou consertado. Nunca conseguimos ler todos os livros que gostaríamos. Nossas relações têm altos e baixos. E assim vai...  

Já que essa é a realidade da vida, se quisermos ter alguma saúde física e mental, parece que não temos outra opção senão descondicionar cada vez mais nossa energia, ou seja, deixá-la fluir desimpedida e leve, mesmo em meio a uma vida que nunca se resolve.

Podemos fazer isso no cotidiano inicialmente com exercícios bem simples. Aqui proponho dois, para conseguirmos encaixar na nossa rotina sem precisar fazer grandes malabarismos. Aos poucos, com a persistência na prática, vamos observando o impacto positivo na saúde da nossa mente e do nosso corpo.

  • Comece a observar sua respiração nas mais variadas situações do cotidiano e constate por você mesma que ela está condicionada ao que está acontecendo. Por exemplo, ao telefone, numa ligação difícil, ou lendo uma mensagem difícil, observe como a respiração é impactada. Apenas perceba a íntima ligação entre seu mundo emocional e sua respiração.  

  • Pare cinco minutos antes de começar um turno cheio de tarefas ou uma reunião difícil. Pare e relaxe o corpo, solte a musculatura toda. Observe o ritmo natural de sua respiração. Seja uma simples testemunha do ar entraaaando e saindo. Simples assim. Em geral, nós somos especialistas em complicar as coisas. Mas nós podemos nos dar de presente alguns minutos por dia de total descomplicação. Aos poucos, com a persistência na prática, vamos querer fazer mais que cinco minutos e vamos começar a descobrir que a respiração pode fluir descomplicada e desimpedida, mesmo quando tudo na nossa vida parece estar complicado e não estar dando certo. Cinco minutos pela manhã, cinco minutos à tarde e cinco minutos à noite. Tão simples quanto isso e tão transformador. A gente pode se dar esse presente.  

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Prática sugerida por Renata Pazos

Achamos que saúde só diz respeito a um cuidado físico. Consideramos que mente e corpo são unidades divididas. Mas a verdade é que tudo que acontece, tanto física quanto psicologicamente, também tem uma relação natural com a nossa mente.

Sugiro, sempre, uma aproximação com o mundo das emoções e imagens. Muitas pessoas não costumam perceber, por exemplo, o quanto os sonhos são importantes como ferramenta que encurta distâncias entre nós e o mundo sutil, simbólico, menos literal e concreto — e que é totalmente individual e particular.  Há uma comunicação inconsciente que podemos captar nos espreitando das emoções.

Uma pessoa que tem a noite agitada ou que está muito cansada e/ou dormindo pouco pode também ter suas lembranças de sonhos afetada. E, consequentemente, nosso estado emocional pode ser muito afetado por esses sonhos. A prática que sugiro, aqui, é começarmos a criar uma relação com esse mundo onírico. Como?

  • Diário: É uma ferramenta simples e valiosa. Ele pode ser escrito, mais concreto e literal, mas também pode ser apenas um registro mental. Antes de dormir, mapeie seu dia. Como você acordou? Como estava emocionalmente? Do que mais se lembra? Qual a sensação, agora, mais presente? Faça uma revisão da manhã à noite. Transforme esse check in em um hábito. Isso ajuda no processo de conexão com as emoções e com a nossa saúde mental porque nos aproxima das oscilações que estamos submetidas e também viabiliza uma consciência que faz com que não nos deixemos levar tão facilmente pelo automatismo padrão do nosso dia a dia.

  • Conexão com a natureza: Quando nos aproximamos do mundo sutil, conseguimos distinguir que há determinados fenômenos que nos levam a estados mais frágeis, mais potentes, mais introspectivos, mais criativos e por aí em diante. Conseguimos perceber padrões: minhas crises são mais intensas quando a noite se aproxima; Fico mais sensível nessa fase da lua ou naquela; Sou mais expansiva em determinada estação do ano. Conseguimos ter mais clareza como a natureza nos afeta e interfere nos processos individuais. Observar tais padrões conseguimos nos aproximar do campo das emoções e nossas individualidades e também estreitar nossos laços com o todo do qual fazemos parte. Experimente. Tente. Arrisque.


Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo e coordenadora de projetos com propósito. Na Comum, é editora-chefe, participante e caseira.

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