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Sexo não é apenas físico

Ilustração da querida Flávia Totoli. Pra saber mais dela, vem aqui ó.

Ilustração da querida Flávia Totoli. Pra saber mais dela, vem aqui ó.


Esse texto faz parte de uma série sobre sexualidade que vai trazer recortes de diversos tipos e nos ajudar a tirar as amarras que temos em relação ao sexo. Toda sexta-feira você encontra um novo ponto de vista aqui na Comum - coloque na agenda!


O clitóris tem 8 mil terminações nervosas em nove centímetros e 18 estruturas anatômicas entre a parte interna e externa. Ainda assim, mulheres hétero, lésbicas e bissexuais se utilizam da penetração no canal vaginal para buscar prazer.

Se a gente pensar exclusivamente na parte física do sexo, não faz sentido. Por que a gente usa a penetração para ter prazer quando, na verdade, o que dá prazer são as ramificações do clitóris que estão encostadinhas no canal vaginal? A resposta pode não parecer racional, mas é simples: porque sexo é muito mais do que reações físicas.

Quando nós fazemos sexo não estamos apenas em busca do orgasmo – se fosse só isso a gente podia se masturbar sozinhas e pronto -, o objetivo também é compartilhar um momento prazeroso com outra pessoa. É ter com você, em um momento mágico (orgasmos, pra mim, são mágicos), alguém que você escolheu.

A partir do momento em que gente passa a olhar o sexo de uma maneira mais ampla a coisa fica mais clara: prazer tem a ver com muito mais coisas do que a gente imagina. Parece abstrato demais? Então pense em um dia que você está se sentindo horrível. Você tem vontade de transar? Pense em um dia que você está triste. Você tem vontade de transar? Pode até ser que seja legal caso você faça sexo, mas não é algo que brota espontaneamente. Sexo é sobre dividir uma parte boa de nós.

Nosso corpo é cheio de terminações nervosas. Da cabeça ao dedinho do pé. Todas elas podem dar prazer. A diferença entre o prazer ser sexual ou não é a maneira que nós olhamos para ele. Para o cérebro é tudo prazer, ele não faz diferença.

E como a gente diferencia o prazer sexual? É só o que toca certas partes? Mas e aquele sussurro no pé da orelha? E aquele abraço em que a mão segura a nuca? E o olhar que você troca com a outra pessoa que você deseja e sabe que te deseja de volta? Tudo isso é sexual. E tudo gera prazer.

A sedução faz parte do sexo. O antes faz parte. O depois também. Acreditar que sexo é apenas o que acontece entre o momento em que duas pessoas tiram a roupa até o momento em que elas se vestem é um erro que somos levadas a cometer.

Se a gente levar para a vida que o sexo vai muito além do que as aulas de biologia do colégio tentam explicar, trazer o prazer para nossa vida fica mais fácil. A gente já sabe que não é sobre reprodução. Sabe que não é sobre o outro. Sabe também que não é apenas sobre nós. É uma equação cheia de variáveis que a gente não precisa ser pressa pra descobrir porque, no fim, não há um único resultado correto.

Não é só sobre vaginas, pênis, seios ou ânus. Nem apenas sobre carinho ou agressividade. É sobre encontros – pode ser você encontrando a si mesma, outra pessoa ou outras companhias, sejam histórias divididas por uma vida ou paixões de 30 minutos. O importante é o encontro existir. É ele que potencializa o prazer.


Sexualidade: a trilha da mês

A trilha da Comum desse mês é sobre sexualidade feminina. Vamos explorar o tema juntas, através de textos, vídeos, conversas no fórum e práticas. O percurso começou em setembro e está disponível integralmente só pras assinantes. Se quiser saber como se tornar uma pra ter acesso às trilhas, ao fórum e os encontros fechados, clica aqui e vem com a gente. 

O encontro é aberto a todas as mulheres. Saiba mais aqui.


A assinatura mensal da Comum dá acesso a parte fechada, que inclui as trilhas, o fórum, encontros só pra comunidade (on e offline) e desconto em encontros abertos ao público. Você pode pagar R$40/mês ou financiar uma mina que não possa pagar, com R$80/mês. Saiba mais aqui.


Nina Franco é jornalista e acredita que falar sobre mulheres vai muito além dos manuais de tendências e maquiagens. Em 2015 escreveu o Ebook "Sexualidade Feminina, uma história em construção". Hoje se dedica a pesquisa na área de antropologia, sexualidade e gênero.

Flavia Totoli é nascida e criada em sampa. Sempre com um caderno de rascunhos na bolsa. Apaixonada por imagens e contar histórias (de preferência tudo junto).

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