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Em caso de reprovação, não se desespere

Respeitar o nosso tempo talvez seja mais importante do que conhecer todas as respostas.

Situações desagradáveis que se repetem uma, duas, dez vezes ao ano, incontáveis vezes na vida. Você acha que se livrou de dividir parede com vizinho que passa a madrugada arrastando móveis, de namorado grosseiro que faz você se sentir um lixo, de chefe que humilha, de amiga que trai, de gerente de banco que não colabora. Você acha que está livre de colega de trabalho que ronca quando respira, de professor que pega no pé, de comprar bem durável que não dura. Acha que está livre de descobrir que falam mal de você pelas costas, livre de pessoas que não ouvem o que você fala, livre de atendente de loja mala, livre de ter que reconstruir a vida depois da enchente, do divórcio, da demissão. Acha que não vai mais precisar conviver com alguém destacando de forma desagradável que você engordou, que você não casou, que sua ex está melhor sem você. Você acha que não vai mais ser excluído de panelinha nenhuma no colégio, no trabalho, na igreja. Você acha que se livrou.

Mas não. Sem pedir licença nem se importar se você está ocupado, despreparado, cansado, velho, aquela situação insuportável com a qual você simplesmente não sabe lidar chega dando uma voadora na porta da sua vida e adentra sem ser convidada.

Dejavu. Olha nós de novo aqui. De cara nova, o velho problema de sempre.

Uma pessoa sábia diria que a vida é uma grande escola e que portanto precisamos, senão aprender bem a matéria, ao menos pontuar dentro da média pra passar de ano.

Mas uma pessoa mais sábia ainda talvez dissesse que mais importante do que passar de ano é respeitar o nosso próprio tempo. Pequenos progressos. Step by step.

Ótimo se você é o CDF da escola da vida e coleciona um histórico de notas 10 em todas as matérias. Mas às vezes é preciso ouvir que tá tudo bem também se você não é, não se culpe.

Quem sabe, perceber o porquê reprovamos sempre em uma mesma matéria é tão importante quanto passar dela. Compreender os motivos, as razões, as dificuldades. Falta de atenção? Imaturidade? Despreparo? Carência? Medo de rejeição? De não ser aceito? De passar fome, frio? Egoísmo? Avareza?

Seja qual for o motivo e quais forem as matérias que estão atravancando a sua evolução, elas não precisam ser causa de sofrimento. Tudo bem se a gente não se sente preparado pra tomar uma atitude melhor, pra agir de outro jeito. Tudo bem se ainda não é possível. Cada pessoa carrega uma história, uma bagagem, um DNA. Ninguém é igual a ninguém, todo ser humano é único e possui habilidades, dificuldades, qualidades e defeitos igualmente únicos.

Então calma. Pode não ter dado certo dessa vez, mais uma vez. Pode ser que você também não consiga na próxima. Pode demorar um pouco. Mas todo dia, a cada dia, 24 novas horas de oportunidade recomeçam.

Tudo a seu tempo. Tudo no nosso tempo. Seguimos juntos tentando.

Aprender o autorrespeito também é uma disciplina. Então sossega. Amanhã é um novo dia.


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Texto publicado originalmente no Medium da autora.


Babi Vanzella escreve quinzenalmente para a publicação TRENDR, no Medium, e trabalha como revisora textual numa empresa de tecnologia. Também é formada em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina e eterna acadêmica das últimas fases do curso de Direito - mas gosta mesmo é de assistir a documentários, meditar, estudar astrologia, comportamento humano e mergulhar fundo no autoconhecimento.

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