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6 coisas que você confunde com feminismo mas não tem nada a ver

Muita gente ouve a palavra feminismo e se assusta. Outras pessoas ainda ficam na dúvida se podem se dizer feministas/pró-feministas ou não.

Esse é um texto rápido pra te contar o que é e o que não é feminismo e acabar de vez com a confusão.

Vamos lá.

1. Feminismo não é violência

Feminismo é um movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres. Ele não é extremista nem violento por definição.

Algumas vertentes do feminismo podem ser mais extremas  - como acontece em todo e qualquer movimento social.

Violento é o modo como algumas feministas escolhem se expressar - como em tudo na vida, afinal, são pessoas.

2. Feminismo não é o oposto de machismo

Feminismo é a busca por igualdade entre os gêneros. Machismo é a dominação do homem sobre a mulher. São falsos opostos: enquanto o primeiro fala de equidade, o outro é sobre poder, controle e superioridade do homem com relação à mulher.

Sobre o termo igualdade, não significa, ao contrário do que a expressão dá a entender, que homens e mulheres devem ser sempre tratados da mesma forma. Como princípio, a igualdade é tratar desigualmente os desiguais, e só pode ser mesmo alcançada se olharmos com atenção e respeito para as características e necessidades de cada um, reconhecendo as diferenças. 

3. Feminismo não é sinônimo de mulheres dominando o mundo

Feminismo não prega ódio. Pelo contrário. Também, não significa mulheres dizimando a população masculina e controlando o mundo, como num filme de ficção científica.

Prega liberdade e igualdade. Mulheres podendo ser quem são e viver como quiserem sem ninguém impondo regras ou dizendo como é que elas devem agir, se vestir, o que devem dizer ou o que devem fazer com seus próprios corpos.

4. Feminismo não tem nada a ver com humanismo

Muita gente diz: "não gosto disso de feminismo, acredito nos seres humanos como iguais".

Humanismo é o sistema filosófico que coloca a humanidade em primeiro lugar —  acima do sobrenatural, de deuses, de dogmas religiosos e das superstições. Não é oposto a feminismo, são áreas distintas que falam sobre coisas distintas.

Se você acha que homens e mulheres deveriam ser tratados igualmente e ter os mesmos direitos, isso é feminismo.

5. Ser feminista não tem a ver com ser inimiga dos homens ou não ser "feminina"

De novo, pra ser feminista, basta acreditar em equidade entre os gêneros. Feminismo não tem a ver com odiar os homens, pelo contrário. Tem feministas que não toleram homens? Tem, mas são vertentes do movimento - ninguém precisa se identificar com isso se não fizer sentido e sim, algumas têm bons motivos pra se proteger de caras depois de passarem por alguns traumas bem difíceis.

Feminismo também não tem a ver com não se depilar, parar de usar maquiagem, entre outras besteiras que dizem por aí. É sobre ser quem você quiser ser, com liberdade e autonomia, e descobrir o seu jeito de ser mulher, independente do que te dizem pra fazer.

6. Pra ser feminista não precisa ser ativista

Uma coisa não está grudada na outra.

Ser ativista é militar, agir diretamente com a intenção de provocar mudança social ou política.  Ser feminista é acreditar em igualdade de direitos entre homens e mulheres. Dá pra ser só um, dá pra ser outro ou dá pra ser os dois.

Tá, então será que eu sou feminista ou a favor do feminismo?

Se você acredita que mulheres e homens devem ter os mesmos direitos e oportunidades, provavelmente sim. Mas sugerimos esse vídeo da Carol Patrocínio e esse teste rápido, adaptado de um original da Cynthia Semiramis, pra te ajudar nisso.

Agora, o teste. Você acha que:

  1. Mulheres devem receber o mesmo valor que homens para realizar o mesmo trabalho?

  2. Mulheres devem ter direito a votar e ser votadas?

  3. Mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha de suas profissões, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?

  4. Mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?

  5. Cuidar das crianças deve ser uma obrigação de ambos o pai e a mãe?

  6. Mulheres devem ter autonomia para gerir seus próprios bens?

  7. Mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?

  8. Mulheres não devem sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou por desobedecer o pai ou marido?

  9. Tarefas domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?

  10. Mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?

Todos esses itens falam de direitos que historicamente foram negados às mulheres. Cada resposta sim significa assumir um ponto de vista feminista.

Tenho certeza que foi o seu caso.


Anna Haddad é advogada de formação e jornalista de coração. Hoje escreve para vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado para mulheres.

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