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Conheça 9 movimentos feministas que ocupam as ruas do país

Elas estão nas ruas. A arte é ferramenta, assim como o papel e a tinta. Ocupar a cidade é forma de se fazer presente, de contar histórias, dar recados. É invadir espaços perigosos demais pra mulheres, que expulsam e espantam. Espaços machistas, espaços públicos, espaços cheios de gente.

Andando nas ruas de São Paulo, esse movimento de ocupação fica claro. Resolvemos então listar alguns projetos incríveis de minas que fazem da arte de rua uma forma de resistência.

1. Lambe-buceta

Sua periquita é linda.

O lambe-buceta é um projeto gráfico em linguagem lambe-lambe que propõe a criação e a divulgação de representações gráficas da genitália feminina de forma coletiva e colaborativa. Os posters em tamanhos variados são criados com frases e colados em espaços públicos.

O objetivo é naturalizar a imagem da vulva, com ilustrações fora do contexto sexual. "Vamos falar de buceta, xoxota, piriquita, peteca e xana e entender por que isso incomoda tanto. Com muito respeito e muito carinho" - é o mote do projeto.

2. Coletivo Amélia

No Brasil 1 mulher morre a cada 2 dias por aborto inseguro.

O Amélia gera lambes com frases fortes ligadas a feminismo a partir de causas, movimentos, temas e discussões que estão nas redes sociais. Qualquer pessoa pode mandar, pelo site, questões, frases e sugestões, o coletivo gera a arte e disponibiliza pra impressão. A ideia é tirar as discussões das redes e levar pras ruas.

Em Porto Alegre, as fundadoras Julia Bittencourt e Renata Duarte, organizam caminhadas pra colagem dos lambes nos espaços públicos, que ainda é bastante privatizado e machista. Fizemos uma entrevista com elas na nossa passagem por lá. Dá o play no vídeo.

3. Feminicidade

Quando aquela dor ressoa em outras mulheres, então eu tenho mais coragem.

O movimento Feminicidade nasceu pra resgatar o sentido original do Dia Internacional da Mulher, inspirando pessoas por meio da ocupação do espaço público com suas histórias e olhares. A ideia é criar espaços para diálogo e debate de temas relevantes pras mulheres.

Diversos voluntários ouviram histórias de mulheres por São Paulo e registraram em fotografias, pequenos textos, frases e poesias. O material produzido foi espalhado pela cidade, também por voluntários, em forma de lambes no dia 8 de março.

Numa segunda fase, o movimento contou com um evento em São Paulo, com palestras e rodas de papo sobre temas variados como diversidade sexual, violência doméstica, mulheres no cárcere, padrões de beleza, empoderamento feminino e feminismo para homens - pra debater o papel da mulher nos dias atuais e os espaço que ela ocupa na cidade.

4. Frida Feminista

Não deixe que os padrões apaguem quem você é.

Os lambes com uma ilustração que representa a artista mexicana Frida Kahlo espalham frases feministas por São Paulo.

O projeto, criado pela estudante de arquitetura Lela Brandão, do Estúdio Sinestesia, tem como objetivo falar sobre empoderamento e autoestima feminina com frases sobre assuntos como gordofobia e padrão de beleza, por exemplo.

5. Encontrarte

Moça, você não é obrigada a dizer sim.

Criado pelas amigas Aline Fidalgo e Mari Vieira. As duas se conheceram através da campanha #MeuAmigoSecreto (ambas haviam se relacionado com o mesmo cara). Se aproximaram a partir daí e com isso surgiu a ideia de um projeto que refletisse uma luta coletiva e que alertasse outras mulheres sobre relacionamentos abusivos.

Através de lambes com frases curtas, o projeto fala de empoderamento, relações abusivas e sororidade.

7. Manifesto das mina

Em caso de bagunça ou confusão, procure primeiro seu coração.

Criado por Bianca Maciel, o projeto espalha lambes por São Paulo, com frases poéticas de empoderamento.

8. Onde jazz meu coração

Moça, / melhor sozinha do que com quem só te bagunça / e não ajuda a arrumar.

Criado pela escritora e feminista negra Ryane Leão. Os lambes colados por São Paulo trazem poemas lúdicos direcionados pra mulheres.

9. Tô na rua, mas não sou sua

O Tô na Rua, mas não sou sua é uma intervenção urbana que falasobre o assédio sexual sofrido pelas mulheres cotidianamente nos espaços públicos.

O projeto pretende coletar casos de assédio, selecionar alguns, gravar vozes relatando esses casos, contando como a mulher se sentiu e o que ela gostaria de dizer pros homens que cometem essas violências nas ruas. Depois, através do financiamento coletivo no Benfeitoria, a ideia é viabilizar a instalação de um totem na praça Campo Grande, em Salvador, e convidar os homens que passam por ali pra escutar as vozes dos relatos.

9. LGBTour

São Paulo é sapatão. São Paulo é trans. São Paulo é bi.

Um projeto colaborativo de lambes coloridos colados por São Paulo, com frases para combater a LGBTfobia. Os lambes produzidos estão disponíveis no tumblr pra impressão, junto com instruções de como colar nos espaços.

Todos esses projetos lindos foram alguns dos que vimos e ouvimos falar por aí. E você? Conhece algum na sua cidade? Se sim, conta pra gente aqui na caixa de comentários.


A assinatura mensal da Comum dá acesso a parte fechada, que inclui as trilhas, o fórum, encontros só pra comunidade (on e offline) e desconto em encontros abertos ao público. Você pode pagar R$40/mês ou financiar uma mina que não possa pagar, com R$80/mês. Saiba mais aqui.


Anna Haddad é co-fundadora da Comum. Escreve pra vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado pra mulheres.

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