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6 coisas que você precisa saber sobre comunicação não-violenta

Comunicação não-violenta  é uma prática baseada em habilidades de linguagem e comunicação que nos reumanizam. É um conjunto de ferramentas que aumentam nossa capacidade de construir melhores conversas, e assim, se relacionar melhor com qualquer pessoa.

Muita gente nunca ouviu falar do termo comunicação não-violenta ou confunde bastante seu real significado. Então, a gente resolveu gravar um vídeo bacana e levantar pontos polêmicos nesse texto, pra te contar um pouco o que é, pra que serve e principalmente o que não é CNV.

Dá o play aqui:

1. Não é falar de forma fofa

CNV não é falar baixo, mansinho, fofo. Não é sobre adquirir um punhado de palavras e expressões novas. Você não vai praticar CNV só ao parar de falar palavrão, passar a falar em tom suave ou estabelecer diálogos passivos. Existem várias formas de se comportar e comunicar de forma contida, calma e mesmo assim criar discursos que perpetuem uma linguagem violenta.

Alguns exemplos:


“Ah, mas esse tipo de gente - nada contra - sempre faz esse tipo de coisa.”

“Você é muito egoísta.”

“Pessoas que matam outras são más e doentes.”

“Isso é típico de fulana.”

São frases tidas como violentas pela ótica da CNV porque são feitas baseadas em julgamentos moralizadores: culpa, insulto, depreciação, rotulação, críticas, comparações e diagnósticos usando a sua ótica como verdade. Tudo isso, independente do tom de voz, são formas de violência.

2. Não é fugir de conflitos

Pelo contrário, CNV parte do princípio de que os conflitos são avisos e oportunidades pra construirmos caminhos e soluções conjuntas. Eles podem ser positivos e construtivos se a gente se dispor a passar por eles com abertura e cuidado.

Fazemos isso quando assumimos nossa responsabilidade pela situação e por aquilo que sentimos à partir do conflito, permanecendo nele até encontrar sua raiz ou gatilho e uma possível solução conjunta que satisfaça os envolvidos na questão.

3. Tem a ver com compreender e expressar seus sentimentos

O primeiro passo fundamental pra praticar CNV é entender seus sentimentos, principalmente enquanto as próprias situações acontecem. É preciso ligar um dispositivo de atenção interna pra identificar e nomear cada sentimento que brota ali, no cotidiano.

Um dos princípios da CNV é o de que todos nós temos necessidades, e que os sentimentos e emoções são alertas ou sinais de que essas necessidades foram atendidas ou não.

Então, é só a partir da compreensão e expressão desses sentimentos que abrimos caminho pra entender quais necessidades - atendidas ou não - moram por detrás deles.

Por exemplo:

“Me senti extremamente triste por você não ter ido me visitar quando estava doente.”

Nessa frase, pode existir, por exemplo, a necessidade não atendida de ser cuidada, que mora por trás do sentimento de tristeza.

4. Tem a ver com aprendermos a identificar as nossas necessidades e nos responsabilizarmos por elas

Todos compartilhamos de necessidades bem parecidas, mas não fomos ensinados a conhecer e lidar com nossas necessidades íntimas. Na verdade, a maioria de nós nunca nem olhou o mundo sob esse prisma.

Por isso nos acostumados a pensar no que há de errado com as outras pessoas sempre que nossas necessidades não são satisfeitas. Culpar e responsabilizar o outro antes de qualquer coisa.

É isso que ocorre aqui nesse exemplo:

“Você é preguiçosa, nunca lava sua louça.”

Indiretamente, por trás do conjunto de interpretação, julgamento e diagnóstico do comportamento de outra pessoa,  mora o desejo de que a louça seja lavada, ou que a cozinha fique limpa.

Mas então, como poderia ser, sob uma ótica de CNV?

“Eu me sinto desconfortável com a louça suja, me sentiria melhor se você lavasse sua louça com mais frequência.”

Quando você entra em contato com o que você precisa, a responsabilidade se torna sua de expressar o que realmente importa pra você. Aumenta a possibilidade de que a mensagem seja entregue sem ruídos e armadilhas de comunicação, e, portanto, de que haja entendimento entre os envolvidos.

O maior problema é quando partirmos do princípio que o outro deve suprir todas nossas necessidades.

Precisamos treinar parar um pouco, refletir sobre nossos processos e entender nossos sentimentos e reais necessidades internas, pra deixarmos de colocar a responsabilidade em outras pessoas e exigir que elas supram demandas que são nossas.

Importante lembrar que se tornar responsável por satisfazer suas necessidades não significa auto-suficiência e individualismo. Não significa que você não pode desejar que algumas delas sejam atendidas por pessoas ao seu redor, com quem você convive. A grande diferença é que se torna exclusivamente seu dever entender e identificar essas necessidades, expressá-las pra quem quer que seja com cuidado e fazer pedidos claros.

Então, a continuidade da expressão da necessidade no exemplo acima poderia ser um pedido direto, assim:

“Você poderia lavar sua louça com mais frequência?” ou seja, fazer um pedido não uma exigência.

Colocar a necessidade na mesa como algo seu, com clareza e abertura, é uma coisa importante de se fazer e aumenta muito as chances do conflito ser resolvido.

5. Passa por entender o que é violência

Uma confusão muito comum que acontece quando falamos de CNV é o entendimento do que é violência. 

Na CNV, violência é tudo o que viola a integridade do outro, e integridade compõe desde aspectos físicos à valores, princípios e direitos. Então, a primeira coisa a se fazer é considerar que o que é violência pra mim pode não ser violência pra você.

Parte do processo é entender o que é violência pros envolvidos e acordar sobre isso. Também, é preciso diferenciar violência de agressividade.

Demorei um tempo pra compreender, por exemplo, que gritar e falar palavrão não são, necessariamente, violências. Por exemplo: evidenciar e interromper com força discursos e ações que perpetuem uma violências sistêmica (racismo, por exemplo) pode ser entendido como algo agressivo a se fazer, enquanto, na verdade, é o mais benéfico pra situação.

Existem duas naturezas de violência que operam de formas distintas na nossas vidas: a sistêmica e a individual. Ter clareza delas nos ajuda muito nesse estudo do que é violência e como ela opera fora e dentro de nós.

A primeira é a violência sistêmica, que acontece quando toda nossa estrutura social reproduz de forma naturalizada e legitimada comportamentos e ações que excluem e marginalizam pessoas. Depois, temos as violências individuais, que são estratégias de comunicação e comportamento que incorporamos e reproduzimos nas nossas relações pessoais e cotidianas.

É preciso reconhecer as manifestações distintas de violência e nomeá-las pra podermos entrar em acordos uns com os outros do que consideramos violento para nós (em relação) e passarmos também a enxergar a violência do mundo com mais clareza.

6. Empatia é meio e não fim

Quem entra no universo da CNV ouve falar muito em empatia. Muitos são os significados e entendimentos que as pessoas fazem dessa palavra. Mas, empatia, é, antes de tudo um sentimento como qualquer outro. Ele, por si só, pode não mudar alguma condição de sofrimento ou conflito.

Em muitos círculos de prática de CNV entende-se empatia - a habilidade de sentir junto, ou, sentir o que outro sente - como um meio para atingirmos alguma transformação ou ação. É um sentimento que permite eliminar as barreiras que impendem mudanças significativas de acontecerem.

Não é onde queremos chegar, é só uma ferramenta importante para chegarmos em algum lugar.

É a empatia que aumenta nossa disponibilidade de ouvir o outro com atenção e livre de julgamentos, criando espaço para conexão real entre as pessoas, aumentando nossa capacidade de respeitar, de se relacionar e amar as pessoas. Nós só amamos aqueles que conhecemos, e só conhecemos aqueles que escutamos.


A prática da CNV é fundamental para a construção desse espaço aqui, a Comum.

É um dos nossos pilares. Isso porque, nessa comunidade, cultivamos o desejo de abrigar conversas significativas, de escuta, de apoio, acolhimento e construção conjunta dentro da pluralidade de vozes e vivências das mulheres.

A CNV vem sendo base crucial pras nossas conversas entre mulheres no fórum fechado (que tem acesso restrito às assinantes pra seguir sempre um lugar seguro e acolhedor), mas também falamos lá sobre ela, sobre o processo e sobre como praticar mais, trocamos referências e dificuldades. Se quiser saber como funciona a Comum e como faz pra participar, clique aqui ou fale com a gente.


Giovana Camargo é co-fundadora da Comum. Se dedica a empoderamento feminino através de encontros, conteúdos e consultorias de projetos pra mulheres. 

 

Giovana Camargo

Giovana é entusiasta de movimentos colaborativos, comunicação não-violenta, feminismo e comunidades de mulheres. Hoje se dedica ao empoderamento feminino, dela e de outras mulheres, através de assessoria de projetos pra mulheres e nas
longas conversas que cultiva com elas entre um café e outro.

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