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Beleza natural e o reencontro com minhas antepassadas

Era uma manhã de sábado bem gelada quando despertei às 7h e fui ao encontro de mulheres incríveis, na Vila Madalena (São Paulo), para falar sobre beleza natural e aprender a fazer produtos do bem para a pele: desodorante, barra hidratante, escalda pés e esfoliante. Tudo isso preparado com ingredientes naturais, livres de agentes químicos e das fórmulas indecifráveis (pelos menos para mim) dos cosméticos fabricados pela indústria.

“Um encontro pra gente tomar as rédeas da nossa saúde e ganhar autonomia com os cuidados diários”. A chamada do evento - organizado pela Comum com a Fe Canna, por si só, já era linda. Mas esse dia significou muito mais para mim. Não por acaso, o sol estava radiante quando a oficina acabou.

Foto do encontro de Beleza natural, organizado pela Comum junto com a Fernanda Canna.

Foto do encontro de Beleza natural, organizado pela Comum junto com a Fernanda Canna.

Eu não estava apenas encontrando outras mulheres, estava encontrando as mulheres que estão dentro de mim.

Eu, amazonense, convivi e fui criada por mulheres que sempre valorizaram os produtos naturais tanto para a beleza como para a saúde e alimentação orgânica (quando eu nem sabia o que era isso). No quintal da minha avó materna tinham duas mangueiras, um jambeiro e plantas de todo o tipo, desde mastruz até capim-santo (também conhecido como capim-limão ou capim-cidreira). Minha avó paterna faz um doce de mamão divino. Minha mãe sabe, como ninguém, os benefícios do óleo de andiroba e da babosa. Em comum, as três também partilham o conhecimento da costura, essa arte maravilhosa que conta a história da família.

Como é que eu tinha me afastado dessa natureza tão bela? Na realidade, eu sempre flertei com um estilo de vida mais natural, mas nunca consegui embarcar completamente nele. O mercado me atraía de forma avassaladora e, de certa forma, aprisionante. Ainda sofro, confesso! Mas ao mesmo tempo em que o armário está repleto de hidratantes, perfumes e cosméticos, eu nunca os uso. Recordei que minha mãe também comprava todas as novidades dos catálogos, mas os frascos viviam cheios.

Algumas das coisas que produzimos no encontro.

Algumas das coisas que produzimos no encontro.

Minha mudança para São Paulo foi um bocado paradoxal: enquanto eu abria a mente para um novo tipo de consumo e conhecia o feminismo, as empresas enviavam caixas e caixas de maquiagem, cosméticos de todo tipo e perfumaria para a redação em que eu trabalhava. Eu levava todas para casa e pensava: agora, vou “cuidar de mim”, vou ficar mais “apresentável”, “bonita”, blablablá. Anos depois, ao fazer aquela faxina potente, eu descobria um monte de produtos sequer abertos vencidos há MUITO tempo.

Noutro emprego, eu editava uma revista de treinamento para vendedoras de uma famosa marca de cosméticos. Cada vez mais mergulhada nesse universo, entendi que - definitivamente - nada daquilo me atraía ou fazia sentido para mim. Essa foi minha última experiência numa redação. Dia 3 de julho, completo um ano fora do jornalismo e, digamos, completamente embarcada numa viagem sobre mim mesma.

Hoje, estou muito mais consciente sobre cada passo que dou no mundo. E, mesmo que eu caminhe devagar por essa nova estrada, sei que não voltarei mais para um lugar que não me pertence.

Aliás, dia desses estava lendo o livro “A Mágica da Arrumação”, da japonesa Marie Kondo. De todos os ensinamentos, o mais forte para mim é focarmos nas coisas que desejamos manter e não naquelas que gostaríamos de descartar. Ela diz que se mantermos apenas as coisas que nos trazem sentimentos bons, será mais prazeroso colocá-las em ordem e manter a casa arrumada e o coração tranquilo.

Acredito que isso também vale para sentimentos, decisões e modo de viver. É saber o que nos faz bem e felizes. E, com toda certeza, esfoliar o rosto com óleo de uva e semente de maracujá é uma delas. É muito amor. Tem muito a ver comigo, com as mulheres que me inspiram, com a minha natureza.

Felicidade é ficar embaixo de uma cachoeira, sentindo a massagem da queda d’água e receber toda energia que vem dali.

Felicidade é reencontrar-se em atitudes tão delicadas, bonitas e significativas.

Felicidade é sentar ao lado de mulheres maravilhosas e ouvir suas histórias. Levarei esse dia com muito carinho por toda a vida.


Aqui na Comum, a gente se encontra de verdade.

Somos uma comunidade de mulheres que mistura conteúdo, como esse texto aqui, fórum online (fechado pra assinantes) e encontros presenciais. A gente acredita no poder do olho no olho, nas conexões, nas trocas e no mão na massa como fontes de transformação. Esse do texto rolou e junho com a Fê Canna, sobre autonomia e beleza natural. Fica sempre ligada na gente pra saber dos próximos encontros. Geralmente em São Paulo, mas logo mais por todo o Brasil. Se tiver ideias de temas ou quiser puxar um na sua cidade, dá um alô pra gente.


Babi Nascimento tem sotaque amazonense, mora em São Paulo e celebra (profissionalmente) o amor em casamentos pelo Brasil. É feminista, foi criada por mulheres que fizeram história na família e adora a energia das cachoeiras e dos abraços apertados.

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