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Liberdade sexual também é poder dizer não

Algumas vezes a gente luta tanto por uma coisa que, depois de alcança-la, esquece que tudo tem um lado bom e outro ruim. Com a liberdade sexual não poderia ser diferente. A gente não podia nada, daí apareceu a pílula, o movimento feminista, a emancipação feminina e, de repente, a gente podia olhar com sinceridade para o nosso desejo.

Não são tantos anos assim, mas essa liberdade já começou a mostrar que se a gente não ficar esperta vão se aproveitar até mesmo das nossas lutas para nos oprimir. Como? É simples: quantas de nós já ouviram o papo de “mas você não é feminista? Não é livre? Por que não transa, então?”, como se transar fosse uma obrigação para provar quem você é e não uma maneira de obter prazer?

Colonizar os nossos corpos é a brincadeira mais antiga que existe. Ditam-se regras, criam-se saídas sem nos perguntar se elas fazem sentido e, no fim, vemos com clareza que nada daquilo era realmente sobre nós.

A gente não precisa transar. A gente não precisa ter tesão sempre. A gente pode transar quando quiser. E pode dizer não quando quiser. Mas a gente consegue fazer isso?

Trocamos uma amarra por outra. Acreditamos que temos um papel a exercer e, boas atrizes que somos, levamos o personagem pra cama. Transamos sem ter vontade, sem gozar, sem sermos vistas por nós e por quem compartilha aquele momento com a gente.

E não vamos fazer de conta que essa imposição libertária de transar toda hora acontece só com mulheres hétero. Acontece também entre lésbicas e bis. Acontece sempre que uma pessoa que transar e a outra não. Simples assim.

A gente só vai ser livre de verdade quando conseguir dizer abertamente e com todas as palavras: hoje eu prefiro assistir Netflix. Ok, pode ser simplesmente: hoje não estou com vontade de transar. E a outra pessoa ouvir, entender e respeitar.

Você não vai entrar no clima se começar. Você não precisa de um empurrãozinho. Você não tem obrigação porque começou algo e não vai terminar. Você não é obrigada porque casou. Você não tem que nada além de respeitar a si mesma – e se algo acima fizer sentido pra você, manda bala e segue em frente.

Liberdade sexual é se conhecer, não apenas para saber como se goza, mas para saber quem se é e se amar ao ponto de não aceitar que você mesma não se respeite. Liberdade sexual é liberdade e sem que o amor próprio e a segurança estejam juntas, ela não existe de verdade.


Sexualidade: a trilha da mês

A trilha da Comum desse mês é sobre sexualidade feminina. Vamos explorar o tema juntas, através de textos, vídeos, conversas no fórum e práticas. O percurso começou em setembro e está disponível integralmente só pras assinantes. Se quiser saber como se tornar uma pra ter acesso às trilhas, ao fórum e os encontros fechados, clica aqui e vem com a gente. 

O encontro é aberto a todas as mulheres. Saiba mais aqui.

 


A assinatura mensal da Comum dá acesso a parte fechada, que inclui as trilhas, o fórum, encontros só pra comunidade (on e offline) e desconto em encontros abertos ao público. Você pode pagar R$40/mês ou financiar uma mina que não possa pagar, com R$80/mês. Saiba mais aqui.


Carol Patrocinio é jornalista e divide seu tempo entre escrever para diversas publicações sobre assuntos relacionados ao mundo feminino e ao feminismo, como o Ondda, seu canal no Medium, vídeos no Youtube e consultorias para negócios que querem falar com as mulheres.

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