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Opressão sistêmica e estrutural: episódio #3 da nossa série sobre Gordofobia

Se você pudesse ir ao shopping com um cartão de crédito ilimitado, com quantas sacolas de compras sairia? 

Esse texto poderia ser sobre consumo consciente, a nova tendência da moda ou estilo, mas é sobre um assunto mais sério. É sobre pressão estética e, principalmente, sobre opressão.

Centros de compras são feitos para que nos sintamos inadequadas. Caso seu manequim seja inferior a 38, provável que você esteja mais confortável com o que a indústria da moda tenta vender a você, mas, se o número que você veste está acima, a chance de você se sentir inapropriada é grande. 

Se você é gorda, a pressão estética passa à opressão: 

"Se eu entrar num shopping nua, com cartão de crédito limitado, saio do shopping nua como entrei. Para conseguir encontrar roupas, preciso ir a locais específicos que já sei que têm vestuário para mim." 
Rachel Patrício

Existe uma opressão sistêmica e estrutural contra as pessoas gordas. Com todas as supressões e limitações aos corpos gordos, cria-se uma situação de vulnerabilidade emocional. Uma pesquisa feita pela Universidade da Pensivânia mostrou que as pessoas que manifestam complexo de inferioridade por causa da aparência têm um risco três vezes maior de desenvolver problemas que desregulam o metabolismo e seis vezes maior de ter altas taxas de triglicerídeos no sangue. Ou seja: não é a obesidade que é sinônimo de doença. É a gordofobia que pode desencadear não só problemas físicos, mas também favorecer abalos emocionais, como depressão e ansiedade. É sobre isso que Giovana Camargo e Rachel Patrício falam no episódio #3 da nossa série Gordofobia

Precisamos, como sociedade, olhar para essas violências causadas, combatê-las e lutar para que todes tenham seus direitos assegurados — acessibilidade, direito de ir e vir etc. Como comunidade, precisamos mirar em práticas e posturas que trabalhem o bem-estar e autoestima das pessoas gordas. 

"Nunca almejei o corpo magro. Tive a sorte de crescer numa escola em que não sofri bullying. Isso é muito fora da curva. Das pessoas gordas que conheço, 99% passaram o inferno em escolas, por exemplo. Isso contribuiu pra minha autoestima. É muito importante fortalecer a autoestima desde criança." 
Rachel Patrício

A luta é árdua, mas necessária e urgente. Ferramentando meninas e mulheres para que se aceitem, acolham com afeto, se cuidem e se amem estamos empoderando mulheres e indo juntas nessa caminhada. Porque andamos melhores quando de mãos dadas.

Compartilhem esse vídeo, espalhem por aí, comentem. Vamos fazê-lo girar e permitir que sua mensagem preciosa transforme e engaje ainda mais pessoas na causa. Seguimos.


Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo, coordenadora de projetos com propósito e cientista poética. Certa feita, enamorou-se pela palavra inefável. Desde então, também mantém uma lista de pequenas coisinhas indizíveis.

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