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4 passos para um carnaval sem assédio

Foto: “Alegoria” / Julliane Albuquerque

Foto: “Alegoria” / Julliane Albuquerque

A gente espera o ano inteiro pra poder usar purpurina sem limitações, vestir fantasias maravilhosas, sair de maiô pra rua como se não houvesse amanhã, dançar com as pessoas que a gente gosta e deixar aquele sorrisão na cara por dias. Mas sempre tem algo que atrapalha.

Esse é um guia rápido pra gente compartilhar e ajudar as pessoas a entenderem que existe um espaço imenso entre você e o outro – coisa que a gente aprende a diferenciar ainda quando criança – e que ninguém pode invadir o espaço, corpo ou dignidade alheios.

1 – Nem toda pessoa que vai pra blocos, trios e afins está interessada em pegar alguém

E mesmo quando a pessoa está interessada pode ser se ela não esteja interessada naquela outra pessoa em questão. A vida é assim: nem sempre dá match. O que fazer? Aceitar e seguir em frente.

2 – Não é porque a música é alta, as pessoas usam fantasias e bebem cerveja (ou seja lá o que for) que crimes deixam de ser crimes

Olha aqui a definição de estupro, que é um crime hediondo, para deixar bem claro o que ainda deixa muita gente em dúvida:

“Art. 213 – Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:
Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
§ 1º - Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vitima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos:
Pena – reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
§ 2º - Se da conduta resulta morte:
Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.”
Do site Âmbito Jurídico

Traduzindo: passar a mão no corpo de outra pessoa, puxar pela cintura, pelo cabelo, roubar beijo, pressionar alguém contra a parede ou não deixar alguém seguir seu caminho para que a pessoa fique assustada e dê o que você quer pode te dar uma MEGA dor de cabeça jurídica, além de ficar marcado pra sempre na sua ficha. Concurso público? Nunca mais. Certos empregos? Nem em sonho. Antecedente criminal? Você vai ganhar um com bastante confete e serpentina.

3 – Ajude as pessoas

Se você, mulher ou homem, vir alguém em situação perigosa - uma mina tentando se desvencilhar de um cara, um cara assediando minas, uma mina bêbada e largada (aliás, amigas que fazem isso, você vão pro inferno e se ele não existir eu vou criar um pra vocês irem) – ofereça uma mão. Pergunte se ela precisa de ajuda. Fique por perto. Observe o olhar das pessoas porque o pedido de ajuda está ali.

4 – Liga 180!

Carnaval é pra gente dançar, curtir, ver os amigos, mas se alguém incomodar é só ligar pro 180. É sério. Pega o celular, liga, denuncia. A gente precisa deixar essa estatística cada vez mais clara e mostrar ao mundo que a gente não vai se calar. Essa campanha do 180, aliás, é incrível: http://www.meunumeroe180.com.br/.

Vamos curtir?


A assinatura mensal da Comum dá acesso a parte fechada, que inclui as trilhas, o fórum, encontros só pra comunidade (on e offline) e desconto em encontros abertos ao público. Você pode pagar R$40/mês ou financiar uma mina que não possa pagar, com R$80/mês. Saiba mais aqui.


Carol Patrocinio é jornalista e divide seu tempo entre escrever para diversas publicações sobre assuntos relacionados ao mundo feminino e ao feminismo, seu canal no Medium, vídeos no Youtube e consultorias para negócios que querem falar com as mulheres.

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