`

Eleições municipais: escolha suas candidatas em São Paulo

Chegou a hora.

O primeiro turno das eleições municipais de 2016, pra eleger prefeitos e vereadores em todo país, acontece no domingo agora, dia 2 de outubro.

Nós, mulheres, somos minoria também na política. A jornalista Nana Soares falou sobre o assunto em um texto essa semana aqui na Comum:

"Por isso fica o apelo: no domingo, vote em uma mulher. Nós precisamos urgentemente estar no Poder para poder ver as nossas pautas representadas, para vetar avanços conservadores, para segurar o que nos resta de democracia. Precisamos de pessoas comprometidas com os direitos humanos, que legislem a favor das mulheres, dos negros, indígenas, pessoas com deficiência, LGBT. Precisamos mudar o imaginário de que política é para homens ricos e poderosos. Vote em uma mulher. Vote em uma mulher."

Depois desse texto, recebemos vários pedidos de leitoras pra falarmos sobre as candidatas à prefeitura de São Paulo e levantarmos nomes de candidatas pra Câmara Municipal.

Esse texto é pra isso. Pra abrirmos, antes de tudo, fontes e ferramentas pra você encontrar as suas candidatas em São Paulo. Vamos lá.

Prefeitura de São Paulo

Luiza Erundina (PSOL)

[Ilustração da querida Flávia Totoli. Pra saber mais dela, vem aqui ó].

 

É a minha candidata predileta, não escondo.

Assistente social de formação e a primeira mulher prefeita de SP, envolvida na fundação do PT.

Assumiu depois do Jânio Quadros, um governo populista que deixou a prefeitura super endividada. Foi nessa conjuntura que assumiu, eleita na época com 35% dos votos (não havia segundo turno) e com minoria na Câmara.

O lance central de destaque da Erundina foi a chamada inversão de prioridades - parte do vocabulário da gestão na década de 1990 e parte do plano de governo hoje.

A ideia central é de que os governos municipais estejam a serviço dos mais pobres, combatendo a especulação imobiliária e estruturando os municípios em torno de serviços públicos universais e de qualidade.

Outro marco foi a construção de habitações populares através de mutirões.

Uma marca dela foi o incentivo à participação popular.  Erundina atendia a comunidade no gabinete da prefeita. Era comum as pessoas passarem a tarde lá pra expor questões e demandas.

Também, é a candidata que melhor fala sobre os direitos das mulheres e LGBTs.

Com relação aos direitos das mulheres, o programa da Erundina cita:

1.

o combate à violência de gênero e empoderamento feminino, inclusive nas relações da Prefeitura com entes privados. Fala também em medidas políticas e administrativas que contribuam para uma efetiva equidade de gênero (condições diferenciadas para o exercício dos serviços públicos por parte das mulheres favorecendo sua independência econômica, a proteção contra a violência doméstica e vulnerabilidade social, o acesso à habitação popular, transporte digno, dentre outros).

2.

atendimento que dê atenção integral à saúde reprodutiva e sexual da mulher, especialmente às vítimas da violência doméstica e do estupro, bem como quanto ao direito de decidir sobre seu corpo, livre das imposições da indústria das cesarianas, valorizando o parto humanizado, sem discriminação ou violência obstétrica.

Dá pra saber mais sobre as medidas efetivas da Erundina com relação às mulheres aqui.

A jornalista Nana Soares está no Twitter perguntando pra todos os candidatos sobre políticas para as mulheres, especialmente a manutenção ou extinção da SPM (Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres). Todas as respostas, inclusive da Erundina, estão aqui.

O programa da Erundina também traz medidas ligadas a população LGBT, como fomentar políticas de trabalho e geração de renda pensadas com membros do conselho LGBT, garantir vagas em programas de jovens aprendizes e bolsa trabalho para a juventude LGBT por meio de cotas e propor legislação municipal que assegure os direitos da população LGBT e que sancione administrativamente as discriminações e discursos de ódio motivados por orientação sexual e por identidade de gênero no âmbito da administração municipal. Dá pra ver todas as medidas aqui.

Pra saber mais da opinião da Erundina sobre a questão LGBT, tem esse texto oficial dela aqui.

Pra dar uma olhada na opinião de todos os candidatos com relação à questão LGBT, indico esse texto do Ondda aqui.

Câmara Municipal: Vereadoras

Na Câmara, também precisamos de representatividade.

Segundo levantamento da extinta SPM, são 7.782 vereadoras brasileiras que representam 13,5% do total dos cargos correspondentes nas câmaras municipais. A parcela masculina é de 49.825 integrantes, 86,5% do núcleo analisado.

Segundo a Revista Gênero e Número, dos três poderes do Estado brasileiro o Legislativo é o mais assimétrico no recorte de gênero.

Pior acontece com as pessoas trans. O TSE não coleta dados sobre a candidatura delas, mas esse ano organizações militantes fizeram o serviço: são 85 candidatos/candidatas no Brasil todo. Mais informações sobre as candidaturas transsexuais no Brasil aqui nessa video-reportagem da revista Gênero e Número.

Pra te ajudar a escolher sua candidata à vereadora, levantei alguns meios de pesquisa e nomes que estão no radar das feministas em São Paulo. Vem cá:

Ferramentas de informação

Vote numa feminista

A página tem como objetivo demonstrar como a participação feminista na política é importante e dar visibilidade à candidatas declaradas feministas de qualquer partido. A inclusão das candidatas aconteceu por indicação e por análise simples das ideias propostas por elas.

Bancada Ativista

É um movimento suprapartidário pra ajudar a eleger ativistas e ocupar a política. O mote é uma nova política, renovada em princípios, práticas e conteúdo.

Me representa

Resultado de uma parceria entre as campanhas #VoteLGBT, #AgoraéQueSãoElas, a Rede Feminista de Juristas (#DeFEMde), a Rede Nossas Cidades (Meu Rio, Minha Sampa, Minha Porto Alegre e Meu Recife), a organização não governamental CFEMEA e o grupo LGBT Brasil, a plataforma tem como objetivo divulgar aos eleitores as posições de candidatos a vereador sobre pautas relevantes ligadas à igualdade de gênero, questões raciais e de orientação sexual.

Algumas candidatas que estão no meu radar

Se você fuçar as páginas e sites dos projetos aqui em cima, já vai encontrar várias candidatas bacanas. Mas pra ficar mamão com açúcar, separei alguns nomes aqui pra você, ó:

1. Sâmia Bonfim - PSOL - 50180

Feminista com histórico em movimentos pelos direitos humanos e das mulheres, e experiente na construção de pontes entre movimentos sociais de diversas causas. Pretende fazer um mandato com foco na defesa de direitos das mulheres e da juventude, com a perspectiva de construir uma democracia real, a partir do exemplo das mobilizações que agitam a cidade.

2. Maira Pinheiro - PT - 13030

Feminista, socialista, mãe solo da Betânia, doula e empreendedora.

3. Isa Penna - PSOL - 50000

Feminista e integrante de movimentos anticapitalistas, tem foco nas pautas dos direitos das mulheres, antiproibicionismo, participação política democrática, e direito à cidade com atenção especial a transporte e moradia.

4. Adriana Vasconcelos - PSOL - 50010

Professora do Ensino Municipal de São Paulo e militante de grupos do movimento negro, foca na promoção da história e cultura afro-brasileira, na luta pelos direitos das mulheres, e no fim do extermínio da juventude negra.

5. Ligia Fernandes - PCB - 21321

Fala da construção de uma alternativa socialista, que coloque o poder nas mãos das parcelas exploradas e oprimidas da sociedade.

6. Maria Rita Casagrande - PSOL - 50025

Feminista, fundadora do Blogueiras Negras. Foca no direito das mulheres, principalmente as mulheres negras e a população LGBT.

7. Luiza Coppieters - PSOL - 50222

É professora de filosofia há 16 anos, formada pela Universidade de São Paulo. Defende uma educação pública, gratuita e de qualidade. Mulher trans, militante do movimento feminista e do movimento LGBT. Eleita pelo segmento de mulheres transexuais para o Conselho Municipal de Políticas LGBT da cidade de São Paulo.

É isso.

Nesse domingo, vamos votar por mais representatividade.

Seguimos juntas.


A assinatura mensal da Comum dá acesso a parte fechada, que inclui as trilhas, o fórum, encontros só pra comunidade (on e offline) e desconto em encontros abertos ao público. Você pode pagar R$40/mês ou financiar uma mina que não possa pagar, com R$80/mês. Saiba mais aqui.


Anna Haddad é co-fundadora da Comum. Escreve pra vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado pra mulheres.


Flavia Totoli é nascida e criada em sampa. Sempre com um caderno de rascunhos na bolsa. Apaixonada por imagens e contar histórias (de preferência tudo junto).

Área de login
Bem-vinda, (First Name)!

Esqueceu a senha? Mostrar
Entrar
Acessar área logada
Meu perfil Não é usuária? Cadastre-se Sair