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"Eu fracassei": a autocompaixão pode ser nossa boia de braço em momentos difíceis

"Eu fracassei. Não dei conta de cuidar de três filhos pequenos e ainda ter um cachorro. Tive de dar meu cãozinho para outra família.”
“Terminamos porque eu não era boa o suficiente para ele.”
“Odeio meu corpo. Passo 24 horas por dia tendo nojo de mim mesma.”
“Não sou tão inteligente quanto meu irmão. Meus pais tiveram de pagar uma faculdade particular para mim.”

Essas foram algumas das frases que ouvi de mulheres próximas na última semana. Para todas, estive de coração e braços abertos em prontidão a acolhê-las: você deu o seu melhor e o que conseguiu fazer foi incrível; você só tem de ser boa o suficiente pra você; seu corpo é a coisa mais linda desse mundo porque é seu; não há nada de errado com você, não subestime sua inteligência, você só não se adequou a um formato de prova que, inclusive, é ultrapassado.

Permaneci ali, numa presença compassiva, mas sei que, muitas vezes, não tive a mesma postura comigo quando eu mais precisava. Nossa tendência é, frente às pressões que sofremos e às demandas que não cumprimos, lançarmos para dentro um olhar autocrítico que não só não ajuda, como destroça. Um olhar que julga sem piedade. Fomos ensinadas assim: num mundo competitivo — ainda mais para mulheres —, a autocrítica é uma ferramenta primordial para alcançar o sucesso. Mas não é. A verdade é que ela, na maioria das vezes, nos paralisa.

“A autocrítica libera o hormônio do cortisol que é o mesmo hormônio que está associado ao estresse e a depressão. Então existe uma relação muito próxima entre a depressão e a autocrítica. É muito comum, por exemplo, que as pessoas que estão depressivas tenham uma autoimagem muito negativa de si. Enquanto a autocompaixão libera o hormônio da ocitocina. Então existe uma relação que é muito próxima entre autocompaixão e saúde mental.”

Carol Bertolino, facilitadora do programa Mindfull Self Compassion

A autocompaixão surge, então, como uma lufada de esperança para nós, mulheres, porque nos ensina a caminhar de forma mais suave, a responder ao sofrimento com gentileza. Não é sobre autocentramento ou egoísmo, é sobre acolhimento e não resistência. E, num mundo que já nos exige e sobrecarrega, experienciar, nas horas mais difíceis, essa atitude de cuidado é um abraço quentinho na alma. É um caminho bonito, mais leve e possível — e não é só teoria. Autocompaixão é um processo de inspiração e expiração: inspirando, atendendo às nossas necessidades, estamos expirando soltando cargas e liberando as pessoas da responsabilidade de nos acolherem. É como se descobríssemos um pote de ouro inesgotável de amorosidade e bondade — com a gente e com o outro.

Ficou com vontade de praticar? Passamos um mês explorando a fundo esse tema, por meio de textos, vídeos e conversas no fórum online, com o apoio da especialista Carol Bertolino. Se quiser assinar e ter acesso a esse conteúdo, clica aqui. As trocas também continuam acontecendo no fórum. 

Seguimos. 


Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo, coordenadora de projetos com propósito e cientista poética. Certa feita, enamorou-se pela palavra inefável. Desde então, também mantém uma lista de pequenas coisinhas indizíveis.

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