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#9 Nem santa e nem puta

Historicamente, estamos esmagadas entre a santificação e a hipersexualização.

Em uma sociedade machista e patriarcal, sofremos de uma sexualidade reprimida. Fomos condenadas, desde sempre, a pagar pelo erro de Eva: a primeira mulher que levou Adão ao pecado, tirou da humanidade a possibilidade de gozar da inocência e do paraíso. A história bíblica da criação já mostra que mulheres são transgressoras, não confiáveis e, portanto, devem ser sempre controladas.

Esse pensamento misógino está por aí, em inúmeros escritos religiosos, e se perpetuou através da Igreja e silenciosamente na nossa cultura:

"Das leis do Estado e da Igreja, com frequência bastante duras, à vigilância inquieta de pais, irmãos, tios, tutores e à coerção informal, mas forte, de velhos costumes misóginos, tudo confluía para o mesmo objetivo: abafar a sexualidade feminina que, ao rebentar as amarras, ameaçava o equilíbrio doméstico, a segurança do grupo social e a própria ordem das instituições civis e eclesiásticas. A toda-poderosa Igreja exercia forte pressão sobre o adestramento da sexualidade feminina. O fundamento escolhido para justificar a repressão da mulher era simples: o homem era superior e portanto cabia a ele exercer autoridade."
- História das mulheres no Brasil - Sexualidade feminina na colônia.

As mulheres que não seguiam o estereótipo, o bom modelo, o comportamento que se esperava da sexualidade, eram bruxas ou putas. Era comum a associação entre feitiçaria e sexualidade: a luxúria era impura e causava perturbação social, era o mal de todos os males e devia sofrer repressão e extermínio.

Carregamos os símbolos de santa e puta conosco. São significados coletivos, perpetuados por homens e mulheres e que marcam experiências e indivíduos. Eles dizem de estereótipos, de formas de se comportar. Enquanto um está ligado a sermos silenciosas e recatadas, não exercitarmos o corpo ou a sexualidade, a uma ideia quase idealizada de um ser angelical, o outro está conectado a uma mulher que lida com suas formas, desejos e tem uma boa relação com o erotismo.

Esse vídeo da Renata fala sobre isso. Sobre como a nossa sociedade produz essas representações que todas nós carregamos conosco e tanto nos influencia. E sobre podermos transitar entre elas e ressignificá-las individualmente, pra quem sabe provocar uma transformação coletiva pras próximas gerações.

Vamos juntas.


Todas as nossas experiências, dúvidas e angústias estão sendo compartilhadas no fórum - Trilha #2: Sexualidade | Olhando pra construções internas profundas - e assim, juntas, deixamos esse caminho mais fácil.


Anna Haddad é fundadora da Comum. Escreve pra vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado pra mulheres.

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