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Esporte: nenhuma de nós é inapta

Até o mais individual dos esportes reproduz em um ambiente restrito o que passamos em todos os outros: medos e anseios por não corresponder a expectativas muitas vezes padronizadas por um modelo masculino. Todos temos individualidades biológicas, que é o que está gravado em nossos tecidos e se acumula desde o nosso nascimento.

Na teoria e na prática é isso que deveria valer mais, o que sentimos, que ficou gravado e como nos conectamos por isso. Conhecemos uma ou várias histórias, nossas ou de mulheres próximas, que tiveram gravadas sensações opressoras, que foram colocadas para baixo por outras ou homens que reproduziram um modelo sem questionar se é isso mesmo, como se fosse certo só porque é repetido. E como se certa também fosse a apatia que cria, não apenas pela violência com que chega, mas como se isso fosse esperado de quem não teria o perfil “certo”, como se essa pessoa fosse inábil ou simplesmente não tivesse nascido pra coisa. São pais, professores, médicos e vizinhos a repetirem essa ideia.E o pior: por bem.

Essa reprodução errada faz histórias que separam mulheres dos esportes, que lembram de uma aula de educação física de vinte anos atrás, na escola, quando o modelo higienista já era ultrapassado, e uma fala de poucos instantes de um tutor a desqualificava para a corrida em um jogo de queimada. Uma fala curta que reverbera durante a vida e limita vontades, curta de horizonte e longa de efeitos.

Não vi até hoje uma única mulher, mãe, filha, dona de casa, estudante, de profissões variadas, que não se sentisse bem e não se adaptasse a um estímulo quando ele destacava o que de melhor ela tinha. Assim observo que a falta de habilidade, talento ou outro conceito que limita capacidades não faz sentido, e vibro muito cada vez que uma mulher reforça isso do seu próprio jeito. Por ela, por nós.

Exercícios servem para manter o organismo funcionando em sua melhor forma, esportes usam essas funções para gerar sensações imensas de bem estar. Não tem porque não praticar ou porque o restringir a um perfil escolhido por visões comerciais.

A fome e a inatividade quando engordam não são a tradução da preguiça e da falta de dedicação. São comunicações e, às vezes, só estão avisando da pele pra dentro o que já é desestimulado dela pra fora nesse ambiente questionável.

O movimento é bom, faz bem, é simples, acessível, bonito. De todos os jeitos, praticados por todas. Com qualquer equipamento, sem equipamentos. Com a roupa do corpo, que não aperte mas que liberte, que não segure os movimentos e, ao invés, os embale. Com o corpo e o condicionamento de hoje, e tudo o que vem gravado junto.

É papel da medicina questionar esses padrões e libertar, fazemos parte dessa medicina, a vivemos diariamente. Não é a clinica ou a hospitalar, é a preventiva, da qual faz parte a educação física, a filosofia, as políticas públicas, a cultura, a história, a economia, e outros parâmetros qualitativos. Tem muito da nossa escolha, mas que não queiram nos fazer acreditar que é só ela que resolve a acessibilidade ao bem estar de fato, não o eugenista.


Thais Moura é formada em educação física na PUC e na Unicamp, trabalha há 11 anos com parâmetros qualitativos de estilo de vida ativo e qualidade de vida; e criou seu próprio método, que combina atividades que conectam as participantes com o objetivo de condicionar através dos exercícios para manter ou resgatar a autonomia: como pedalar pela cidade, correr, surfar, sentar com conforto em frente ao computador ou carregar um bebê.

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