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#8 Autoapreciação: o grande exercício de encontrar as nossas qualidades inatas

Nos últimos textos, temos tentado entender essa visão mais profunda do que pode ser autonomia afetiva e emocional. Com a ajuda da Stela nos vídeos anteriores, entramos um pouco em contato com noções de mundo interno e com como pode ser útil tentar desenvolver uma estabilidade, independente do contexto externo.

Isso porque não temos nenhum controle sobre o que está fora: a realidade muda o tempo todo, as coisas não saem como a gente planeja, as pessoas não são como a gente quer que elas sejam. Nós também oscilamos: uma hora estamos felizes, confortáveis com a vida como ela está, e, de repente, num piscar de olhos, tudo parece estar desmoronando.

“Mesmo quando as coisas estão boas, parece que não estão tão boas assim. As coisas nunca se resolvem totalmente, parece meio pessimista, mas isso acaba se tornando uma coisa boa. Desistimos de chegar em um final, de buscarmos a perfeição. E isso trás uma baita alívio”
- Stela Santin, no papo online que tivemos sobre Autonomia Afetiva e Mundo Interno.

A grande virada de chave está em notarmos que existe um espaço interno no qual podemos confiar: de segurança, acolhimento, estabilidade. E ele não está fora de nós, ele é nosso.

No último vídeo, sobre eixo interno e necessidade real, a Stela propõe que a gente entre em contato e cultive esse espaço de centramento e segurança a partir de uma prática simples: a de parar, silenciar.

"A gente nunca para. Esse ato, de silenciar, já é bem subversivo."
- Stela Santin

Parar funciona como um encontro conosco. É a partir do silêncio que a gente consegue entrar em contato com as nossas emoções, com os conteúdos que brotam na nossa própria mente. E é dessa intimidade que surge a potência de fazermos escolhas, ao invés de sermos arrastadas por tudo o que surge ali, no espaço mental.

Então, se você ainda não leu o último conteúdo, sobre eixo interno, dá uma espiada aqui antes de seguir adiante. Também, tente, em algum momento, fazer a prática sugerida por ela no fim do vídeo: 5 minutos de silêncio, respirando, observando o que brota na sua mente com calma e tranquilidade.

A partir desse espaço que nasce do autoconhecimento, ficamos menos frágeis e vulneráveis ao mundo, que rodopia sem pedir muita licença. Fica mais fácil e bonito viver. Fica mais leve se relacionar, trabalhar. Também, é a partir desse espaço que a gente encontra o nosso próprio brilho. E esse é o grande foco de hoje (e para todo o sempre).

Autoapreciação: um olhar para o que já existe dentro

Num contexto de autonomia afetiva, a autoapreciação é um exercício bem importante, principalmente para nós, mulheres.

Precisamos exercitar reconhecer nossas qualidades internas, nossos recursos inatos, o que temos de bonito para oferecer. A nossa riqueza interna. Com ela viva e clara, saímos de um espaço de carência, de esperar e exigir dos outros para sermos felizes – que é um espaço apertado e desconfortável – e transitamos para um outro lugar bem mais gostoso e amplo, que é o de oferecer.

O exercício não é simples: quando o mundo nos conta outra história – a de que somos insuficientes, incompletas, e de que precisamos ser todas as coisas de uma vez e fazer mais e mais – temos que treinar encontrar outra narrativa a partir desse olhar autoapreciativo. Observar, reconhecer e pinçar qualidades básicas nossas, que são mais importantes do que a gente imagina.

A boa notícia: todas nós temos um mar delas.

Nossa sugestão de prática: 3 aspectos positivos

Não é um caminho curto, é uma jornada longa. Mas podemos dar passos simples todos os dias, com a intenção de exercitar a autoapreciação um pouco mais. Essa prática pode parecer boba, mas é bem preciosa. Então, se abra para ela.

A ideia é que, desse ponto aqui até o fim da trilha (ou até quando você quiser), você reconheça, todos os dias, antes de dormir, 3 aspectos positivos seus. Tente quebrar as caixinhas, saia da lógica usual de julgamento e autocrítica. Procure não olhar pelas lentes dos outros, se conecte com você. Se precisar parar, respirar e silenciar por alguns minutos, tanto melhor. Lembre-se: toda qualidade, por mais básica que pareça, é bem importante.

Ainda que o dia tenha sido péssimo, que tudo esteja estranho, que a vida esteja bagunçada, pare, reflita e encontre esses aspectos. Coloque a atenção neles, ainda que tenham sido escassos naquele dia. Esse é o exercício: quanto pior o dia, pior o seu estado mental, mais fechada, triste, dura e autocrítica você esteja, mais bonita, curiosa e importante vai ser essa prática.

As qualidades podem brotar como frases sobre o dia, assim:

Hoje, consegui ser empática com alguém que não me agrada.

Não fui reativa a fala dura do meu parceiro/a.

Fui carinhosa com a minha mãe no telefone.

Consegui quebrar um estado mental ruim, de tensão e medo.

Mas depois, tente fazer um exercício de abstração e amplitude, para fisgar e ampliar a qualidade real da frase, assim:

Tenho empatia em mim.

Consigo gerar estabilidade interna.

Tenho carinho em mim.

Tente não usar verbos que solidificam, como o verbo ser: "sou isso", "sou aquilo". O bonito aqui, é ver que temos várias faces, coisas boas e não tão boas assim, mas podemos escolher o que queremos exercitar e ampliar.

Anote tudo, para que, no fim, tenha uma boa lista de qualidades para reler.

Não deixa de passar no fórum para contar como anda sendo sua caminhada, trazer dúvidas, questionamentos, ou compartilhar qualquer coisa que seja. Nos vemos por lá.

Seguimos juntas.


Anna Haddad é fundadora da Comum. Escreve pra vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado pra mulheres.

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