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#12 Prática: cozinhando com atenção plena

Para muitas pessoas, cozinhar não é uma tarefa fácil ou prazerosa. Muitas vezes, associamos o ato de cozinhar com a obrigação que nossas mães ou avós tinham de ter para dar conta de alimentar a família toda e serem reconhecidas como “mulher de verdade”, aquela que é capaz de nutrir, de alimentar, e de servir à sua família. Aquela que cozinha para todos, e é a última a sentar à mesa, comendo frio o que, por sorte, sobrar. Contudo, cada vez menos nos enquadramos nesse roteiro.

De maneira sagaz, a indústria de alimentos capta todas essas transformações e traduz em produtos alimentícios com forte apelo publicitário em relação à praticidade e libertação feminina. Entretanto, sabemos que os produtos processados nem sempre são formulados pensando em nossa saúde, podendo conter uma série de aditivos sintéticos desnecessários e, em alguns casos, prejudiciais. Cozinhar tornou-se ultrapassado. Se existe alguém que faça a comida por nós, por que nos preocupar?

Aqui, nós propomos um novo olhar para o cozinhar, o olhar do autocuidado, da paciência, e da autocompaixão. A prática, sugerida pela Natália Utikava, nutricionista e mestre em nutrição em saúde pública pela USP, é a seguinte.

Para a próxima refeição que você for preparar, tente colocar na receita os seguintes ingredientes:

Autocuidado: opte por assumir as rédeas do próprio cuidado com o corpo. É um exercício de autoconhecimento quando prestamos atenção nessas questões e tentamos reunir todas no preparo de um prato que gostamos. Não há mais ninguém que pode fazer isso por nós.

Paciência: cozinhar batatas é diferente de cozinhar feijões. Cada um tem o seu tempo, suas características, suas técnicas de preparo. Quando a gente estreita o nosso relacionamento com a culinária, a gente entende e respeita o tempo de cada alimento, e o nosso próprio tempo também. Enquanto a gente deixa um molho apurando no fogo, a gente coloca a água do macarrão para ferver e, assim, a gente compreende que também é preciso ter estratégias para lidar com esses tempos diferentes para que no final do preparo tudo esteja ao ponto certo (certo sob o nosso ponto de vista, certo para nós, certo porque nós gostamos desse jeito, e não porque alguém impôs ou disse que é certo).

Autocompaixão: para quando nem tudo sai como a gente gostaria que saísse. Tal como na culinária, assim é a vida. Ainda que você faça um bolo seguindo exatamente como te passaram a receita, nem sempre os 45 minutos no forno são suficientes. E se o bolo assar antes, e queimar, tudo bem. Se a comida sair com um pouco mais de sal, ou um pouco mais de pimenta, tudo bem. O que seria de nós se não pudéssemos errar nunca? Damos sim o nosso melhor, mas nem tudo podemos controlar. Está tudo bem.

Tire um tempo para você. Coloque uma música que te inspire. Desligue-se das interrupções externas. Faça o “mise em place” com carinho, separando os ingredientes, picando, cortando, ralando, com atenção, identificando as texturas diferentes, as imperfeições dos alimentos, as variações de cores, formatos, tempos de maturação. Prepare tudo por você e para você.

Perceba como tudo está interligado. Perceba-se no momento presente. Permita-se observar e notar tudo o que está acontecendo nesse seu momento. Aceite os resultados. Se forem agradáveis para você, elogie-se! Você é demais! Se não ficaram como você gostaria, encare com leveza. Ria. Relaxe. Não se cobre. Tudo está em paz.

Te espero no fórum pra contar como foi. 


Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo e coordenadora de projetos com propósito. Nessa trilha, é editora-chefe, participante e caseira. 

 

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