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#14 Transtornos alimentares: quando a comida é a melhor amiga e a grande inimiga ao mesmo tempo

Eles podem estar ali por um longo período. Eles podem dar sinais quando chegam e podemos levar um tempo até aceitar. Normalmente aparecem na adolescência — tanto por fatores metabólicos quanto por fatores psicológicos —, mas outras faixas etárias não estão imunes: disfunções ou transtornos alimentares podem aparecer sem que a gente se dê conta do porquê e, de repente, quando percebemos, nos acompanhar uma vida inteira.

Mulheres e meninas são muito mais propensas do que os homens para desenvolver um distúrbio alimentar. Porque mal abrimos os olhos e um peso enorme recai sobre nossos ombros: precisamos caber no manequim 34 para sermos desejadas. Precisamos ter a pele lisinha, sem celulite, sem estrias. Não podemos envelhecer. Não podemos ter nada fora do lugar. Os fatores sociais e emocionais esmagam e reduzem nossa possibilidade de crescer livremente — sem estereótipos, pressões e prisões.

Bulimia, anorexia, obesidade, desnutrição. Quando trazemos esses nomes para a roda, sabemos do peso que têm. Apesar disso, pouco falamos abertamente. Mas é preciso. É preciso porque é pela conversa transparente, pela fala disponível, pelo relato que aproxima que outras pessoas se verão reconhecidas, acolhidas e, assim, poderão procurar ajuda, tratamento e apoio.

Num mar de aparências que nos coloca em comparação o tempo inteiro, Mirian Bottan usa o Instagram de forma diferente da qual estamos acostumadas a ver quando rolamos nosso feed. No seu mural, o “antes e depois” — que trazem corpos se adaptando ao padrão estético após muitas restrições, abstinência e esforços — dá lugar a fotos de um depois que não se encaixa: Mirian sofreu com a bulimia desde os 13 anos e, hoje, com um corpo bem diferente daquele que imaginava ser perfeito, é mais feliz. Foram 15 anos com a doença. Mais de uma década lutando para entender suas necessidades reais, compreender seus processos e perceber que existiam outras tantos caminhos possíveis.

Porque os transtornos alimentares são reais e tratáveis.

São doenças com complexo fator emocional e por isso requerem uma atenção também para nossa saúde mental — já que frequentemente os distúrbios alimentares coexistem com transtornos psiquiátricos como depressão, abuso de substâncias ou transtornos de ansiedade.

O relato que Mirian divide com a gente por aqui é sensível, mas sem meias-palavras, sem comer pelas beiradas: na sua autoanálise, Mirian retoma sua infância, a forma como a mãe lidava com a comida e com a estética, relembra a maneira que a mídia tratava do assunto nas revistas de beleza. É uma fala dura, mas necessária. Novos distúrbios — como a ortorexia — têm aparecido e quanto mais conscientes estivermos de nós mesmas, mais abertas estaremos para, se for o caso, pedir ajuda ou, ainda, ajudar uma de nós.


Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo e coordenadora de projetos com propósito. Nessa trilha, é editora-chefe, participante e caseira. 

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