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Autonomia afetiva e relações: por que esse foi o tema escolhido para a próxima trilha

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Fomos — em grande maioria — criadas para encontrar uma relação. Não só uma relação, mas uma que perdure ao longo dos anos. A noção de amor romântico, e, em sequência, a de família nuclear, permeia desde filmes da Disney que assistimos com 5 anos de idade até nossas conversas de bar enquanto adultas de 30, dando aquela passadinha até pelos livros de Machado de Assis que caem no vestibular. É cultural: nosso valor enquanto mulheres está diretamente relacionado a nossa capacidade de manter relações dentro dos padrões considerados socialmente aceitos. 

Esses padrões geralmente estão conectados a preceitos cristãos: longevidade da relação, amor infindável e a qualquer custo. Uma mulher que se esforça pela manutenção da união e se submete à dificuldades e percalços enormes. Família em primeiro lugar. Sem contar a heteronormatividade compulsória e a homossexualidade patologizada, e todas as camadas de machismo que envolvem o processo.

Podemos lutar contra isso tudo a vida toda — e até acho que devemos, se quisermos. Mas a luta contra ideais impostos de amor não resolve amarras internas, que muitas vezes nos impedem de encontrar um lugar de paz e conforto, dentro e fora das relações amorosas.

Precisamos, além de entender o contexto macro no qual estamos inseridas enquanto mulheres que vivem numa cultura brasileira, conseguir acessar o que está arraigado dentro de nós e nos oprime silenciosamente: quais crenças moram aqui dentro? Quais dela rejeito, quais compreendo e acolho?

Mais que isso, precisamos acessar nosso mundo interno com mais clareza. Quais são nossos medos, nossos monstros internos? Quais são, de fato, as nossas necessidades? Como podemos escutá-las, acolhê-las e atendê-las da melhor forma?

Se a gente sabe em que pé estamos, fica mais fácil caminhar.

Não tem a ver com, necessariamente, combater verdades internas, ficar numa queda de braço com desejos e vontades. Na maioria das vezes, tem a ver com contemplá-las. Só enxergar aquela crença de que casar é a coisa mais importante das nossas vidas ou que ter filhos é necessário se quisermos nos realizar enquanto mulheres. Ou, ainda, ver aquele medo danado de se vulnerabilizar numa relação e tomar consciência daquela necessidade de reconhecimento pelo outro.

Já é mais da metade do caminho.

Nossa trilha de autonomia afetiva começa esse mês, e não é sobre como ter sucesso nas relações, sobre como não ficar solteira ou sobre trazer verdades prontas. É uma jornada de reconhecimento cultural, uma viagem pra dentro de nós no que tange o campo emocional e relacional, e uma chuva de ferramentas que temos para lidar com as relações de formas mais lúcidas.

Aqui, não existe certo nem errado. Vamos, de mãos dadas, trilhar esse caminho interno juntas. Na trilha, iremos refletir sobre feminilidade e amor, desconstruir mitos, aprender a praticar a autoapreciação, o acolhimento e a compaixão, além de entender se o que carregamos cá dentro são crenças ou necessidades reais. Encontrando o próprio eixo e o cultivando fica mais fácil estar em relação — se quisermos — ou estarmos com nós mesmas — nessa relação que dura uma vida inteira. 

Então, se prepara pra embarcar nessa viagem com a gente. Nos vemos em breve. 


Anna Haddad é fundadora da Comum. Escreve pra vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado pra mulheres.

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