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Prática: aprofundando a noção de relaxamento verdadeiro

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Temos falado, aqui na Comum, sobre a nossa noção ocidental de relaxamento.

Relaxar, para nós, é ver TV. Uma série, um filme. Ir no cinema. Ler um livro. Fazer um churrasco com os amigos, beber cerveja, marcar um jantar com uma amiga pra jogar papo fora junto com um vinho. Comer algo gostoso, namorar. Ou então, relaxar é cochilar, dormir.

Essas coisas todas nos dão certo nível de satisfação, mas não são, de verdade, relaxamento. São dois extremos: tarefas que engajam a mente, a mantém ativa em sua frequência rotineira, ou, no caso de dormir, uma atividade de "desligamento" do corpo e da mente.

Relaxar, em sentido amplo e profundo, é um estado do corpo e da mente.

Na sabedoria oriental, esse relaxamento pode ser alcançado na prática de silêncio, quando resolvemos ficar paradas, quietinhas, com atenção total para o nosso corpo e para o espaço da nossa mente. Nesse processo, relaxamento é uma busca, o primeiro estágio da prática, sua base.

Isso porque, quando colocamos um ponto final nas nossas ações e sentamos ali, para meditar, o relaxamento não brota instantaneamente. Pelo contrário. Primeiro, começamos a notar todas as tensões presentes, que não estávamos percebendo até então porque estávamos engajadas em todo o tipo de atividade física, mental e emocional. Percebemos o ombro rígido, aquela dor no pescoço, a pontada na coluna. Face enrugada, coxa contraída, cãibra no pé.

Depois, porque a mente não gosta de relaxar. Ela quer quer que algo a entretenha, quer ficar distraída. Então, quando apresentamos uma outra possibilidade, mil poréns começam a surgir: lembramos da comida no forno, do email que não foi enviado, do papo que temos que ter com o chefe no dia seguinte. Dá siricutico, vontade de levantar dali imediantamente. Ou dá sonolência. São os dois lados da mesma moeda: uma mente inquieta.

Essas tensões todas não vão parar de surgir tão cedo. O relaxamento acontece, durante a meditação (e faz parte do processo dela), quando paramos de lutar contra o que brota. 

Essa soltura, no silêncio, é parte do processo de quietude, de repouso absoluto.

Uma vez que praticamos esse estado de relaxamento, em oposição a um estado constante de tensão, podemos levá-lo para fora da prática do silêncio, para a vida conosco. A partir daí, usamos esse estado como base de tudo o que fazemos e é a partir dessa base que nossas ações podem ser mais assertivas, focadas e estáveis.

Prática sugerida: cultivando o relaxamento

Essa prática, guiada pela Jeanne Pilli, praticante certificada no Programa Cultivating Emotional Balance, da Eve Ekman e do Alan Wallace, nos ajuda a tocar essa noção de relaxamento profundo na prática, além da teoria.

Ela é feita na posição de savasana, deitada, com as costas e as pernas tocando o chão e as mãos voltadas para cima e mostra para nós como a nossa mente habitual é agitada, discursiva e mimada, feito uma criança pequena.

"Externamente você já está em silencio, mas internamente o discurso mental segue."

Tome seu tempo, ache seu cantinho e deite conforme as instruções da Jeanne. Se costuma ficar com frio ao deitar, deite em cima de uma colcha e se cubra, mas deite no chão, caso contrário, a chance de você pegar no sono é ainda maior.

Acima de tudo, explore. Use a prática pra se conhecer melhor e ganhar intimidade com a sua própria mente.

Boa prática. Te vejo no fórum.


Anna Haddad é fundadora da Comum. Escreve pra vários veículos sobre educação, colaboração, novos negócios e gênero, e dá consultorias ligadas à comunidades digitais e conteúdo direcionado pra mulheres.

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