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#11 Diagrama de auto-observação: uma ferramenta prática para a nossa autonomia

Escrevo e amo o que faço. Mas acontece que, em determinados períodos, a escrita me trava. Não sou tão produtiva, nem tão criativa. Frequentemente, respondo a essa fase — que até então reconhecia como infrutífera — com uma autocrítica excessiva. Não faz muito tempo, conversando com uma amiga querida, ela me disse que isso poderia estar relacionado a minha natureza cíclica. Eu, que tomei anticoncepcional durante 15 anos e que depois me rendi ao DIU, sabia pouco sobre meu período.

Conversando com a minha rede, percebi que a falta de conhecimento não era só minha. O mundo nos faz crer que somos seres lineares, quando, na verdade, assim como toda a natureza, nossos processos são ricos, complexos e circulares. Foi aí que a mesma amiga me apresentou ao diagrama de auto-observação:

"Acompanho meu ciclo desde o ano passado através da Mandala Lunar e tem sido um processo de autoconhecimento muito poderoso. Costumo dizer que é a minha terapia de bolso, quando sinto uma variação extrema de algum aspecto que estou observando, corro pra espiar minhas anotações dos dias anteriores ou colocar os registros do que está acontecendo no momento. Só o ato de parar pra me olhar já serve com um momento de me perceber e de presença, algo tão benéfico em momentos de ‘crise’.  Fazer as relações entre o que acontece com o meu corpo e os ciclos da natureza também me fez sentir mais integrada ao mundo que eu vivo e notar com mais clareza as movimentações da vida em mim e no entorno"
Mariana Pellicciari, gerente de comunidade da Comum

E, por mais inacreditável que pareça, esse não é um texto que pregará um estilo de vida fundamentado em saberes sobrenaturais — embora não haja nada de errado com isso, vale ressaltar —, mas que trará uma ferramenta prática e inteligentíssima para o nosso dia a dia: o diagrama de auto-observação. Por meio dele, podemos investigar coisas que são importantes para nós em momentos específicos e correlacionar não só com o ciclo, mas também com a lua — que nos dá reconexão com o entorno e uma visão menos autocentrada. Podemos observar padrões, analisar ações, perceber emoções e sintomas, entendendo, sempre, como um se relaciona com o outro, de que forma uma coisa desencadeia outra.

Há uma gama infinita de possibilidades de observação: da alimentação às emoções, do nosso desempenho profissional a nossa energia sexual. Essa ferramenta poderosa é também um caminho de autonomia.

Para entender melhor as utilidades do diagrama, conversamos com Naíla Andrade, cocriadora da Mandala Lunar, publicação anual que utiliza o esquema de observação. No papo, Naíla explicou o conceito por trás da mandala e também nos ensinou a usá-la, passo a passo. É um vídeo detalhado, profundo, que nos aproxima da nossa natureza cíclica há muito abandonada.

A Mandala Lunar de 2018 está esgotada, mas é possível baixar o diagrama de auto-observação aqui. Importante lembrar que ela é uma ferramenta de autonomia e autoconhecimento e não mais uma obrigação que nos deixará ansiosas e preocupadas com o seu preenchimento correto. Ela serve para nos guiar, não para nos ditar o que deve ou não ser mudado. É um caminho de libertação, não mais um aprisionamento. Por isso, preencha como for mais confortável para você. No vídeo, trazemos um exemplo para clarear a prática por aí — mas fique livre para preencher como for melhor para você. Cada momento com o diagrama é uma lufada de autocuidado no seu dia a dia.

Nossa dica

A cada lunação, escreva uma intenção para o ciclo. Botar o projeto pessoal em prática, dedicar-se mais à família, aumentar a produtividade, ser mais focada, praticar mais atividade física, praticar a compaixão: não importa qual seja seu anseio o que vale é que ele tenha a ver com você, com suas demandas e necessidades mais íntimas. Assim, vamos dando força para aquela vontade durante o processo e podemos até usar os sinais, as marcações de forma a entender melhor o que precisamos para que aquela intenção se concretize.

Seguimos juntas. Trocas de anotações, dúvidas, experiências e relatos são fundamentais nesse processo de se observar, investigar e acolher. Foi assim comigo e com Mariana, a amiga que mencionei lá no começo do texto. Estaremos as duas no fórum, para continuar essa conversa preciosa. Espero você por lá.


Gabrielle Estevans é jornalista, editora de conteúdo e coordenadora de projetos com propósito. Na Comum, é editora-chefe, participante e caseira.
 

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