`

17 escritoras que você precisa ler

Quais são seus livros preferidos? Quantos deles foram escritos por mulheres?

A primeira vez que fiz esse exercício fiquei tão chocada que acabei revirando a estante de livros em busca de escritoras que tivessem marcado a minha vida. Notei que eram poucas e isso não tinha sido uma escolha consciente: a maior parte dos livros que tinham me sido oferecidos, de leitura obrigatória ou que estavam nos destaques das livrarias eram escritos por homens.

Nos últimos tempos tomei uma decisão: ler mais mulheres.

Ok, assumo que daí pra frente leio quase que exclusivamente livros escritos por mulheres, mas de vez em quando abro uma exceção para caras muito legais.

Agora você se pergunta: mas faz diferença ler só livros escritos por mulheres? Sim, faz. E não é pelo livro em si, é para aprender a admirar mulheres, descobrir que podemos encontrar uma na outra tudo aquilo que pode se tornar combustível para nos levar aos lugares que queremos. Ler mulheres e incentivar que outras pessoas façam isso é uma maneira de mostrar que somos mais do que corpos bonitos, sorriso no rosto e cuidado incondicional: somos geniais e admiráveis.

Por isso escolhi 17 mulheres que li ou quero ler e que você pode colocar na sua lista de próximas leituras – a lista tá em ordem alfabética, porque não consigo escolher em ordem de importância. Vamos lá.

1. A arte de pedir, Amanda Palmer

Esse livro mexeu comigo de um jeito que nunca achei que fosse possível: eu me vi ali, entendi que os laços que eu crio com as pessoas são o que me move e o que me faz querer trabalhar cada vez mais. O que me importa não são os aplausos – apesar de amá-los -, mas as trocas.

2. Antes do Baile Verde, Lygia Fagundes Telles

A narrativa de Lygia Fagundes Telles me fez entender que não existia essa coisa de “literatura feminina”. Nesse livro ela fala de traição, de infelicidade, loucura e ainda questiona papeis de gênero e as famílias perfeitas e seus problemas. Tudo isso em 1970, hein!

3. Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda é uma escritora negra que ganhou o mundo e vem fazendo um trabalho lindo de empoderamento e de traduzir conceitos duros do feminismo para a vida do dia a dia.

4. Amiga genial, Elena ferrante

Esse livro faz parte de uma série que conta a história de duas mulheres que são amigas desde a infância e chegaram na velhice. Sabe quando dizem que mulher não consegue ser amiga de outra mulher? Esse livro veio pra falar dessa mentira.

5. As Águas-Vivas Não Sabem de Si, Aline Valek

Aline escreve muito. No blog, na newsletter Bobagens Imperdíveis, no Twitter... E ainda escreve livros. É daquelas mulheres que você pode admirar não só pelo escrita, mas pelas ideias. Esse é seu livro mais recente e faz a gente entrar em contato com aquelas coisas que vamos guardando sobre pilhas e pilhas de verdades imutáveis, mas que uma hora precisam ser lembradas.

6. Como conversar com um fascista, Marcia Tiburi

Ela é uma das maiores filósofas da atualidade e mergulha em temas delicados diariamente. Nesse livro Márcia explica como podemos conviver com pessoas autoritárias em um contexto social que nos tira a autonomia e possibilidade de decisão todos os dias. Filosofia para não filósofos sem ser rasa.

7. Do desejo, Hilda Hilst

HH gostava de sacanagem. Ela gostava de falar sobre prazer, sexo, carne, tesão. Nos anos 50 se fazia passar por jornalista pra xavecar caras como Marlon Brando. Uma mulher que quebrou barreiras para que nós pudéssemos sonhar em ser livres.

8. Filha, mãe, avó e puta, Gabriela Leite

Ela dá nome a lei polêmica relacionada a regulamentação da prostituição e foi uma mulher cheia de realizações, escolhas questionadas por muita gente e quebra de paradigmas.

9. Negra Nua Crua, Mel Duarte

A poesia foi o meio encontrado por Mel Duarte para levar reflexão, transformação e dividir a vivência da mulher negra com o mundo. A autora ficou famosa na internet por videos de suas participações em Slams, em que declama seus textos com força e emoção.

10. Jane Eyre, Charlotte Bronte

Em 1847, quando o livro foi publicado, ela já falava da emancipação feminina, de trabalho, independência e da possibilidade de não se casar e ainda ser uma mulher respeitada socialmente. Não é exatamente sobre o que ainda falamos hoje?

11. O Mito da Beleza, Naomi Wolf

Se você se interessa por libertação feminina, esse livro é extremamente importante. A autora usa dados e estatísticas para mostrar como a indústria da beleza destroem a segurança das mulheres e as aprisiona.

12. Persépolis, Marjane Satrapi

O livro virou filme e nos dois você vai acabar chorando e se apaixonando pela personagem principal, ela mesma, que enxerga toda a violência a que foi submetida por um Estado que não enxerga mulheres como pessoas.

Falamos mais da Marjane Satrapi na nossa série sobre mulheres e quadrinhos. Vem ver.

13. Precisamos de novos nomes, NoViolet Bulawayo

Quando me indicaram esse livro disseram que seria um sucessão de tapas na cara e não há melhor descrição. Você vai chorar a cada vez que notar que por pior que as coisas estejam com você há um mundo muito mais complicado lá fora.

14. Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus

Uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, Carolina escrevia nos cadernos que encontrava no lixo enquanto trabalhava como catadora. A realidade bruta representada nos livros da autora nos ajudam a tirar o véu que romantiza a pobreza e possamos enxergar um mundo único.

15. Toureando o Diabo, Clara Averbuck (com ilustrações de Eva Uviedo)

Além de lindo, o livro dialoga com o momento social que estamos vivendo e vai fazer com que você se veja na protagonista. Dúvidas, questionamentos, relacionamentos furados e um mundo que se parece muito mais com o seu do que você poderia esperar.

16. Um útero é do tamanho de um punho, Angélica Freitas

O que é ser mulher? Mas é isso mesmo ou pode ser outra coisa? Esse livro, que une 35 poemas da autora, é uma tentativa de entender a si mesma, a outra e ao mundo ao nosso redor.

17. Zonas úmidas, Charlotte Roche

A descoberta da sexualidade de uma adolescente sofre interferências não apenas do desejo e da sociedade, mas de toda a realidade que vivência. Esse livro é daqueles que chocam de tão crus e diretos, mas que nos ensinam a olhar para nossos corpos e sexualidade com mais respeito.

É isso. Têm um monte de escritora incrível aqui. E tem mais: no texto "Escritoras mulheres podem te inspirar, você apenas precisa lê-las!" tem uma lista enorme de outros nomes que podem mexer com você. 

Escritoras pra uma vida toda. Boa leitura.


A assinatura mensal da Comum dá acesso a parte fechada, que inclui as trilhas, o fórum, encontros só pra comunidade (on e offline) e desconto em encontros abertos ao público. Você pode pagar R$40/mês ou financiar uma mina que não possa pagar, com R$80/mês. Saiba mais aqui.


Autocompaixão para mulheres: a primeira trilha da Comum

A trilha da Comum desse mês é sobre autocompaixão e autonomia afetiva pra mulheres. Vamos explorar o tema juntas, através de textos, vídeos, conversas no fórum e práticas. A trilha começa nessa semana, com esse texto, e estará disponível integralmente só pras assinantes. Se quiser saber como se tornar uma e participar dessa trilha e das próximas, clica aqui e vem com a gente. 


Carol Patrocinio é jornalista e divide seu tempo entre escrever para diversas publicações sobre assuntos relacionados ao mundo feminino e ao feminismo, seu canal no Medium e consultorias para negócios que querem falar com as mulheres.

Área de login
Bem-vinda, (First Name)!

Esqueceu a senha? Mostrar
Entrar
Acessar área logada
Meu perfil Não é usuária? Cadastre-se Sair