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Minas nos Quadrinhos #2: 9 dicas de títulos imperdíveis

No primeiro texto da série, falei um pouco da importância dos quadrinhos e comecei com três autoras incríveis. Hoje é dia de indicar títulos.

Nota: eu poderia listar vários títulos e várias outras minas. Sei que tem muita deusa de fora dessa lista, mas essa é a graça. Quanto mais a gente pesquisa, mais a gente acha mina foda nos quadrinhos abordando questões feministas e opressões. Basta procurar referências e sempre acompanhar bons portais. 

Vamos lá:

1. Azul é a Cor mais Quente, de Julie Maroh

Impossível falar de quadrinhos ou graphic novels com recorte de gênero e não falar de “Azul é a Cor Mais Quente”. Julie Maroh, apesar de ter um portfólio minúsculo, acerta em cheio ao retratar as descobertas sexuais da jovem Adele, com a criatividade que só essa plataforma textual e visual poderia lhe fornecer. Embora o filme tenha sido ótimo, confesso que me envolvi mais com a HQ, mas que tal você ver ambos e me dizer o que achou depois?

2. Ah! Nana

Foi uma revista de quadrinhos francesa dos anos 70 que, sob influência do Movimento de Liberação da Mulher na França, lançaram a primeira obra francesa produzida por mulheres. Foi uma publicação que chocou a sociedade francesa pela forma direta com que tratavam questões como homossexualidade, transsexualidade, aborto e incesto.

3. Finalmente o verão, de Jillian Tamaki e Mariko Tamaki

Essa história trata do fim da infância e da busca de identidade enquanto adulta (e mulher, especificamente). Trata de todos os temas que nos perpassam enquanto crescemos, desde identificação enquanto mulher, rivalidade feminina, aquela crush, e por ai vai. Gosto muito de como as duas personagens principais são construídas, suas relações com suas famílias e como nos identificamos com ambas em diversas situações.

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4. Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet e Clemént Oubrerie

Aya é uma menina de 19 anos, que mora na comunidade de Yopougon, região pobre de uma das cidades mais ricas da Costa do Marfim, Abidjan, nos anos 70. “Aya de Yopougon” mostra um lado leve da vida de pequena comunidade, fugindo do estereótipo de retratar a África apenas com violência e seriedade. É uma história que trata de amizades femininas, da tradição patriarcal, do machismo ao qual as mulheres eram submetidas e das diferenças sociais na região.

5. Placas Tectônicas, de Margaux Motin

Esse é genial para mães (e pais também, por que não?). Mais uma autobiografia cheia de humor que conta o drama de uma mãe enfrentando todo tipo de conflito: divórcio, novo namoro, pais, filha, e por ai vai. Muitas mães com certeza vão se identificar, já que grande parte do livro aborda as dificuldades de uma mãe sozinha, criando uma criança e ainda tentando tocar outros aspectos da vida. Na verdade, qualquer mulher vai se identificar com uma série de situações que o livro conta. Chorei de rir do começo ao fim!

6. Arroz, de Alexandra Presser

A história fala de amizade entre duas mulheres e do poder que ela tem sobre as pessoas. Bem difícil não se identificar com as duas personagens, que, mesmo diferentes, se tornam grandes amigas. O primeiro capítulo está disponível on-line no site oficial da revista, arroz.alepresser.com.

7. Mulheres - Retratos de respeito, Amor-próprio, direitos e dignidade, de Carol Rossetti

Com um traço característico e frases inspiradoras, Carol quebrou tabus e espalhou uma mensagem que ecoou em mulheres do mundo todo: somos fortes, merecedoras de respeito e especiais do jeito que somos, independentemente de opiniões e julgamentos alheios.

Além desse livro lindo, a Carol Rossetti também lançou uma cartilha pela ONU mulheres para empoderar mulheres vítimas de violência doméstica.

8. Planeta das Putas, de Kelly Sue Deconnick e Valentine De Landro

Nesse futuro distópico, as mulheres que não se rendem às regras impostas pela sociedade são enviadas para um planeta-prisão onde são torturadas. É uma história que coloca mulheres de todas as formas, raças e identidades em situações desafiadoras.

9. O Mundo de Aisha – A revolução silenciosa das mulheres no Iêmen, de Agnes Montanari e Ugo Bertotti

Esse quadrinho “documentário” surgiu de entrevistas com mais de trinta mulheres de diferentes classes sociais, idades e níveis de instrução para a construção da narrativa da HQ. Ele conta sobre as mulheres na cultura muçulmana e os vários enfrentamentos que permeiam suas vidas, como serem obrigadas a se casarem ainda meninas; serem escravizadas, violentadas e, por vezes, assassinadas.

Semana que vem tem mais indicações de mulheres nesse maravilhoso mundo dos quadrinhos.

Até mais.


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Luiza de Castro trabalha como colorista em cinema e vídeo, além de ser a videomaker da Comum. Tem focado seu trabalho cada vez mais em temas sociais e que auxiliem outras pessoas. Amante de cor, cinema, fotografia, muitas nerdices e fofurices. Adora aprender coisas novas, valoriza pessoas e sempre topa uma cerveja ou um café para seguir com conversas e abrir diálogos. 

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