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Sua capacidade de gozar tem tudo a ver com política

Não sei você, mas várias vezes já me senti em um beco sem saída. Funciona mais ou menos assim:

Se eu não consigo nem (insira aqui algo que, teoricamente, todo mundo consegue) – controlar minha bronquite, melhorar minha imunidade, gozar mais – como acho que vou conseguir (insira aqui algo que você quer muito) – decidir coisas sozinha, aquela vaga de emprego, ser presidenta do país.

O controle dos nossos corpos não controla apenas os nossos corpos, mas nosso papel social. Se não damos conta nem de algo tão privado quanto nós mesmas, como poderíamos dar conta de pensar no resto das coisas?

Na Grécia antiga apenas uma “classe” de mulheres era ouvida pelos homens, esses que a gente ouve serem chamados por aí de grandes filósofos da humanidade, e eram as prostitutas. Elas não eram apenas mulheres interessantes e boas de papo, elas eram livres. As únicas mulheres que circulavam entre os homens e falavam com eles de igual pra igual. Além de tudo, eram mulheres que controlavam, pelo menos em teoria, seu desejo.

Imagina só controlar nosso próprio desejo sem ter de lidar com intromissões externas e papeis pré-concebidos?

Nossos corpos são parte dos nossos seres políticos. Ocupamos espaços não apenas com nossas ideias, mas com nossa imagem. Por isso dizemos tanto que mulheres fora do padrão estão exercendo resistência apenas por existir, por sair nas ruas. Por isso que as travestis e transexuais precisam ocupar espaços públicos: porque não é o que se espera delas.

Uma maneira de controlar nossos corpos é controlar nossa sexualidade. Começa por não termos liberdade para entender quem somos, sexualmente falando, antes de nos imporem uma heterossexualidade compulsória. Passa por não sermos incentivadas a conhecer nossos corpos – pouquíssimas mulheres são incentivadas a conhecerem seus corpos por meio da masturbação. E chega a nossa falsa liberdade sexual, que mais fala sobre dar prazer ao outro e ocupar um novo papel social do que buscar prazer para nós mesmas.

O que você sabe sobre sua vagina? O que aprendeu na escola e o que aprendeu na vida? Quantas vezes você teve que ouvir que seu orgasmo deveria ser vaginal, mesmo que fisicamente isso seja muito mais difícil do que ter um orgasmo clitoriano? Freud explica? Não, na verdade Freud foi um dos culpados por essa ideia machista.

Gozar é um ato político. Buscar seu próprio prazer durante o sexo é um ato político. Tocar seu corpo é um ato político. E o é simplesmente porque vai contra a ordem, questiona padrões impostos e cristalizados, e, acima de tudo, coloca a mulher no centro do ato sexual.

O ato sexual, fálico de construção, ganha novos contornos quando quem está em destaque é o seu clitóris. Tem jeito mais gostoso de fazer política?


Sexualidade: a trilha da mês

A trilha da Comum desse mês é sobre sexualidade feminina. Vamos explorar o tema juntas, através de textos, vídeos, conversas no fórum e práticas. O percurso começou em setembro e está disponível integralmente só pras assinantes. Se quiser saber como se tornar uma pra ter acesso às trilhas, ao fórum e os encontros fechados, clica aqui e vem com a gente. 

O encontro é aberto a todas as mulheres. Saiba mais aqui.

 


A assinatura mensal da Comum dá acesso a parte fechada, que inclui as trilhas, o fórum, encontros só pra comunidade (on e offline) e desconto em encontros abertos ao público. Você pode pagar R$40/mês ou financiar uma mina que não possa pagar, com R$80/mês. Saiba mais aqui.


Carol Patrocinio é jornalista e divide seu tempo entre escrever para diversas publicações sobre assuntos relacionados ao mundo feminino e ao feminismo, como o Ondda, seu canal no Medium, vídeos no Youtube e consultorias para negócios que querem falar com as mulheres.

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